PARASITA MELHOR DO MUNDO!

Parasita fez a festa no Oscar 2020

A vitória de Parasita no Oscar 2020 foi épico, foi importante e foi lindo! A produção sul-coreana fez história por ser a primeira do seu país a conquistar qualquer prêmio da Academia e por ser o primeiro filme de língua estrangeira a conquistar o principal prêmio da noite. Sim, eu estava acordada e viva para testemunhar este feito inédito depois de 92 anos de história da premiação.

Parasita é unânime universal. É impossível ser indiferente por esta história que mexe com qualquer pessoa, principalmente por tratar de problemas sociais tão contemporâneos que acontecem em qualquer lugar do mundo e assombram cada vez mais famílias desamparadas. E não é só por causa desta pauta que Parasita é importante, a criatividade, a sensibilidade e cuidado que o diretor Bong Joon Ho teve em contar esta história é algo que você não encontra todo dia. Por isso que sempre digo: vá assistir Parasita. E quanto menos você souber da sinopse, melhor. Você só tem a ganhar com uma baita produção dessas.

Bong recebe o Oscar de Melhor Filme de Jane Fonda

Espero do fundo do meu coração que a vitória de Parasita simbolize o início da mudança que a Academia tanto precisa por, finalmente, acordar pro mundo e perceber o quanto de filmes originais e de outros lugares do mundo são dignos da atenção da premiação. Estava mais do que na hora de se abrir para o mundo e parar de olhar para o seu umbigo e universo embranquecido. O protesto pela falta de representatividade negra, feminina e de outras etnias nas indicações, que novamente se repetiu, pode ter feito a Academia sentir o impacto que a sua premiação ainda afeta a população cinéfila. Quem sabe a mesma pare de autorizar “piadas” da falta de negros nas indicações e comece a falar sério daqui pra frente.

Por incrível que pareça o meu bolão, especialmente nas categorias técnicas, se confirmou. Ford Vs Ferrari, um filme que parecia ser tão esquecível, acabou levando mais prêmios (2) do que O Irlandês, por exemplo, que era uma mega produção cheia de efeitos especiais e um super elenco, mas acabou saindo de mãos vazias. Assim como História de Um Casamento, que saiu apenas com o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante para Laura Dern e o seu discurso contra os pais ausentes e homens perfeitos que a sociedade adora exaltar, sendo que as mulheres sempre serão as julgadas e condenadas por serem quem são. É um baita monólogo que ganhou o Oscar (rs). Além dele, Era Uma Vez em Hollywood também era um dos favoritos a levar boa parte das estatuetas, mas que foi embora apenas com dois (Melhor Ator Coadjuvante para Brad Pitt e Melhor Design de Produção) que considero justo, já que o filme é mais do mesmo de Quentin Tarantino, e 1917 que era dado como certo em ganhar algum dos principais prêmios da noite e acabou ficando apenas com os prêmios técnicos, que são os seus maiores atributos. Especialmente por trazer tanto realismo em uma história ambientada na Primeira Guerra Mundial.

Os prêmios de atuações já eram tão certos que talvez até não causassem tanta comoção, mas foi lindo ver Joaquin Phoenix e Renée Zellweger conquistando os Oscars de Melhor Ator e Atriz, respectivamente, por papéis que merecessem ganhar. Dois filmes que dependem muito da atuação de seus protagonistas que fazem tudo valer a pena. Papéis que valem a vida. Justo.

Enfim, o Oscar 2020 foi uma agradável surpresa de se testemunhar. Por isso que eu amo o cinema.

Confira os premiados

MELHOR FILME: Parasita
MELHOR DIREÇÃO: Bong Joon-ho – Parasita
MELHOR ATRIZ: Renée Zellweger – Judy: Muito Além do Arco-Iris
MELHOR ATOR: Joaquin Phoenix – Coringa
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Laura Dern – História de Um Casamento
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Brad Pitt – Era Uma Vez Em… Hollywood
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL: Parasita
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO: Jojo Rabbit
MELHOR FILME INTERNACIONAL: Parasita
MELHOR DOCUMENTÁRIO: Indústria Americana
MELHOR ANIMAÇÃO: Toy Story 4
MELHOR TRILHA SONORA: Coringa
MELHOR CANÇÃO ORIGINAL: “(I’m Gonna) Love Me Again” – Rocketman
MELHOR MONTAGEM: Ford vs. Ferrari
MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO: Era Uma Vez Em… Hollywood
MELHOR FOTOGRAFIA: 1917
MELHOR FIGURINO: Adoráveis Mulheres
MELHOR MIXAGEM DE SOM: 1917
MELHOR EDIÇÃO DE SOM: Ford vs. Ferrari
MELHOR MAQUIAGEM & PENTEADOS: O Escândalo
MELHORES EFEITOS VISUAIS: 1917
MELHOR CURTA-METRAGEM: The Neighbors’ Widow
MELHOR CURTA-METRAGEM (ANIMAÇÃO): Hair Love
MELHOR CURTA-METRAGEM (DOCUMENTÁRIO): Learning to Skateboard in a Warzone (If You’re a Girl)

Encerrando Maratona Oscar 2020: os filmes com Scarlett Johansson

Em História de um Casamento, eu sou #TeamNicole

A maratona Oscar 2020 encerra com os dois filmes indicados ao prêmio principal e que, por coincidência, tem Scarlett Johansson no elenco. História de Um Casamento eu já comentei anteriormente neste link aqui. No filme dirigido por Noah Baumbach, a atriz traz uma atuação sóbria e tocante, de uma mulher mergulhada na tristeza de um relacionamento que já não mais lhe cabe e tenta se encontrar em meio a um traumático divórcio. É um filme simples, mas capaz de te atingir de diversas formas. As dores de um relacionamentos são universais e fáceis de compreender. Trailer. 

Rosie (Scarlett) é a mãe protetora e brincalhona de Jojo

Já em Jojo Rabbit, Scarlett assume o papel de coadjuvante deste drama disfarçado de humor sarcástico, o que é importante ressaltar que este filme, dignamente dirigido por Taiki Waititi, não passa de uma rica ironia com elementos históricos para contar algo muito contemporâneo. O ódio é uma sementinha fácil de ser plantada, mas difícil de permanecer naqueles que tem a pureza em suas raízes.

Apostando no deboche para ridicularizar quem merece, o diretor oscila o humor entre um núcleo e outro, mostrando as suas variações subjetivamente e deixando a narrativa instigante. O que mostra o quanto o humor é um grande aliado para contar histórias.

Scarlett apresenta mais de uma das suas facetas ao interpretar um a mãe militante da Alemanha livre. Ela também é responsável por representar a esperança de um futuro melhor ao filho, enquanto que o tenta distrair e proteger dos absurdos da Segunda Guerra Mundial, e também para Elsa, a jovem judia que aguarda fortemente os dias de paz.

Jojo Rabbit é uma graça, apesar das desgraças que o rodeiam e de saturar Heroes de David Bowie, e nos confirma que lá no fundo, existe amor dentro de nós. Trailer. 

A Cota Macho Hétero do Oscar 2020: 1917, Era Uma Vez em Hollywood, Ford vs Ferrari e O Irlandês

Quer algo mais macho hétero que os filmes deste post?

O Oscar não seria o Oscar se não tivesse a sua cota hétero entre os indicados a Melhor Filme. O que isto significa? Histórias tradicionais, que todo mundo já conhece e espera aparecer, como algum longa relacionado a guerras, máfia, dinheiro, assassinatos, esporte, disputa, terninhos e só protagonistas e elenco predominantemente do sexo masculino. As mulheres onde ficam nisso? Naqueles mesmos papéis de sempre: a esposa dedicada, companheira e compreensiva, ou a “princesa” que precisa ser salva ou somente estar lá para ser uma vista bonita a ser admirada. Encontra-se um pouco disso em cada um destes filmes. Quer apostar?

1917

George MacKay tem pouco a oferecer em 1917

1917 é tudo o que Hollywood ama: esteticamente perfeito; design de produção impecável; efeitos e edição TOPS; missão impossível e perigosa de concluir; um herói solitário; trilha sonora encaixadinha; tensão à flor da pele e final redondinho e melancólico. É inegável que é uma super produção. Apesar de muitos comentarem da falta de “alma”, eu consegui me conectar com o filme de Sam Mendes por me entregar exatamente o que esperava, que era tudo o que já mencionei antes.

Entre a cota hétero do Oscar, 1917 é o que mais gosto por trazer esta proposta ousada e muito bem-sucedida. E também acredito que se o diretor apostasse em aprofundar mais na história do protagonista, o longa pecaria pelo excesso e não seria bom no que ele quer ser. Assim como dito na abertura do post, há apenas uma mulher durante toda a história que aparece pedindo ajuda e é um dos poucos momentos que o soldado encarregado da sua missão deixa fluir um pouco da sua sensibilidade. Trailer. 

Era Uma Vez em… Hollywood

Brad e Leo fazem uma ótima dupla em cena

Quentin Tarantino já se tornou um daqueles diretores que mesmo mudando a história, repete a fórmula do sucesso. Famoso por promover a vingança histórica, aquele “e se”, o diretor novamente utiliza um fato real para explorar em uma ficção com os elementos que o consagraram no cinema. Preguiçoso.

Não dá para negar que o longa tem seus pontos positivos como as atuações de Leonardo DiCaprio, que se supera magnificamente com doses de humor e dramaticidade caricata que o tornam sensacional em cena, e Brad Pitt, que faz o galã marrento que todo mundo adora. A dupla é a razão de ser de Era Uma Vez, já que o mesmo demora a encaminhar ao que realmente importa.

Margot Robbie fica limitada a um papel que apenas lhe exige que exista, que seja a perfeição de uma estrela de Hollywood que teve um fim trágico. A atriz, novamente, entra em cena somente para embelezar a narrativa, até porque que o propósito da sua personagem é realmente só estar ali. É mais do mesmo do Tarantino. Trailer. 

Ford vs Ferrari

Christian Bale é a única coisa que importa em Ford vs Ferrari

Ford vs Ferrari foi um filme que passou tão despercebido que só teve atenção merecida após o anúncio das indicações ao Oscar. Desde então ficava me questionando o motivo pelo qual resolveram nomear este filme de James Mangold? Baseado em uma história real de um automobilista. Pelo título, imagina-se que a grande disputa seria entre estas duas gigantes, mas o filme revela-se uma batalha interna dentro da própria equipe da Ford.

Entre brigas de egos masculinos, quem tem dinheiro é quem sempre vence a corrida. Não é à toa que o carisma de Ken Miles (Christian Bale) conquista e nos faz torcer pelo seu núcleo. Especialmente por acompanhar a paixão dele, assim como os golpes que leva da “equipe” que deveria ser sua aliada. Por falar nele, Christian Bale nunca decepciona em cena. Aqui, ele é um cara totalmente despojado, boca suja e movido ao ódio. Sempre diferente em cada papel que faz, o ator é a melhor coisa que Ford vs Ferrari poderia ter.

O enredo de Ford vs Ferrari é aprofundada, exatamente por querer contrastar dois universos, e por envolver o público com os personagens para que o arco seja ainda mais dramático quando for preciso. Tem muito carro fazendo barulho, cenas de corrida a mil por hora, esposa (sempre preocupada com a casa e o sonho do marido) e filho torcendo pelo herói da casa e a expectativa de saber qual vai ser o final da história se você não sabe quem foi Ken Miles. É um boa produção, mas não para ser indicado a Melhor Filme. Trailer 

O Irlandês

Al Pacino do jeito que gosto em O Irlandês

Como já era esperado, eu não gostei de O Irlandês. Nada contra, mas o cinema de Martin Scorsese nunca me atraiu. Acredito que seja por sua filmografia se tratar de uma eterna cota hétero (rs) e neste, especificamente, parece ter chegado no seu limite sem nenhuma surpresa. Filme de máfia, muito dinheiro em jogo, o “sofrimento” de um pai e marido ausente, mata e sai caminhando tranquilamente, homem melancólico relembrando uma vida do crime sem arrependimentos, definitivamente não é para mim.

Apesar disso, não quero dizer que o filme seja ruim. Longe disso. Reconheço toda a super produção e direção, afinal de contas é Martin Scorsese, ele sabe fazer cinemão clássico, e as atuações de Al Pacino e Joe Pesci estão ótima, o que provoca uma certa nostalgia. Já Robert De Niro não comove e ainda é incompreensível todo o investimento tecnológico em cima do seu rejuvenescimento. Mas como diria Vera Fischer, minha crítica de cinema favorita: este tipo de filme é para quem gosta, claro. Trailer. 

Maratona Oscar 2020: Parasita, Coringa e Adoráveis Mulheres

Oscar é final da Copa do Mundo dos cinéfilos

E a melhor época do ano está chegando ao fim. A temporada de premiações do cinema é a minha Copa do Mundo, meu Carnaval e o meu Natal. Como eu estou de férias e com pouco tempo, os comentários dos indicados a Melhor Filme do Oscar 2020 serão, desta vez, reduzidos, mas objetivos. Até porque muito já se discutiu sobre as produções neste início de ano e não quero ser redundante. Então vamos lá?

Parasita

Quanto menos você souber de Parasita, melhor será a sua sessão

Começando com os meus favoritos da temporada: Parasita, Coringa e Adoráveis Mulheres. O filme de Bong Joon Ho fez história em Hollywood. Não só se tornou o primeiro longa sul-coreano a ser indicado a Melhor Filme Internacional e Melhor Filme no Oscar, mas a produção já venceu os principais prêmios dos Sindicatos de Atores, Montadores, Roteiristas e Direção de Arte. Tudo isso se deve a originalidade de Parasita e o talento de Bong Joon Ho que construiu uma obra cinematográfica com críticas sociais que se transforma em um entretenimento e termina de forma surpreendente. O segredo é: quando menos você souber, melhor será a sua experiência com Parasita.

E por se tratar de uma ficção próxima de uma realidade mundial, Bong Joon Ho provoca uma empatia instantânea por estes pobres personagens que só querem garantir o seu. A história ainda é sagaz na representação irônica da elite através da família Parker que se mostra alheia ao que acontece além da sua bolha e da pouca humanidade que transmitem. Parasita é daqueles filmes que precisa ser visto, não só pelo conjunto da obra, mas para compreender ainda mais a realidade de quem a gente não enxerga.

Coringa

Você nunca mais verá Joaquin Phoenix com os mesmos olhos após Coringa

Assim como Parasita, Coringa também aborda a vulnerabilidade social em sua história. Porém, o diretor Todd Phillips comanda este filme com uma intensidade que desperta sensações assustadoras. A falta de assistência social e emocional que Arthur Fleck/Coringa sofreu ao longo da sua vida lhe transformou no vilão que a sociedade não se dá conta que criou. E nem digo que o filme justifica as ações do protagonista, mas traz uma percepção coerente das consequências que despertaram o Coringa dentro daquele ser humano que, até então, era pisoteado por todos. Agora se isto o torna ou não um vilão, vai do julgamento de cada um.

Joaquin Phoenix é o responsável pela trama ser tão impactante. A sua atuação como Arthur Fleck/Coringa pode ser considerada imortal tamanha dedicação e perturbação que seria impossível repeti-la. Coringa merecia muito mais reconhecimento que fosse além da interpretação de Phoenix. Especialmente por sair da caixinha de filme de super-herói e não entregar absolutamente nada do que se espera.

Adoráveis Mulheres

Adoráveis Mulheres é digno de se apaixonar com gênero romance

E para finalizar esta primeira parte da Maratona Oscar 2020, Adoráveis Mulheres completa o meu top 3. Não só por ser dirigido por uma das minhas cineastas favoritas, o longa deu um frescor aos que os fãs do gênero romance tanto esperavam. Especialmente para nós, mulheres, carentes de uma história que possa nos representar e trazer novas reflexões sobre o nosso papel na sociedade. Conto mais do que achei do filme de Greta Gerwig, ignorada injustamente ao Oscar de Melhor Direção, neste post aqui.

Renée Zellweger brilha e domina Judy – Muito Além do Arco-Íris

Judy é um filme dominado por Renée Zellweger

Judy Garland foi uma atriz moldada para o sucesso desde criança. Os magnatas dos grandes estúdios cinematográficos controlaram cada centímetro, segundo e suspiro daquela estrela em ascensão que viraria um ídolo americano da sua época. Parecia que tudo tinha dado certo, mas para os poderosos de Hollywood. Já para Judy, foi o início do seu fim.

As últimas consequências de uma vida exposta e controlada da atriz foram narradas na cinebiografia Judy – Muito Além do Arco-Íris, que estreia nesta quinta-feira nos cinemas brasileiros. Dirigido por Rupert Goold, o filme é protagonizado por Renée Zellweger, forte candidata a levar o Oscar de Melhor Atriz neste ano, que está retornando aos poucos a sua carreira em Hollywood. Um tanto simbólica a escolha de Renée em interpretar Judy Garland exatamente no período que a atriz tentava se reerguer e se manter relevante no show business.

No filme, sem público e se submetendo a pequenos shows na madrugada adentro em Nova Iorque, Judy encara o desafio de reconquistar os fãs, desta vez, em Londres, carentes de uma super star em cima do palco. Com uma oportunidade de ganhar dinheiro para poder sustentar os filhos, a atriz embarca nesta nova turnê na esperança de ser a última vez.

Desde o momento em que entra em cena, Renée encarna o que aqueles últimos meses representaram para Judy Garland, que já tinha atingido o limite da sua saúde mental e física. O filme de Rupert Goold se diferencia da maioria das cinebiografias, que tentam trazer um final feliz para a sua protagonista, pois ele sabe que não existiu uma redenção para atriz, que viria falecer alguns meses depois do encerramento dos suas apresentações em Londres.

As músicas são inteiramente cantadas por Renée

A honestidade sobre a vida íntima de Judy, que era viciada em muitos remédios, seja para dormir, acordar, perder apetite, entre outros, traz uma retratação humanizada da atriz, que poderia cair facilmente na superficialidade do título de “Diva”. Do mesmo modo que em Rocketman, Elton John decidiu não esconder nada, em Judy há esta mesma impressão de que aquele recorte escolhido para ir as telas foi o suficiente para a empatia pela sua jornada e o que a levou até estas condições.

Além disso, o diretor foi esperto em trazer as impressões de outras pessoas próximas a Judy, que também sofriam ou tinham muita impaciência com o seu comportamento, para que o filme fosse justo para ambos os lados e não apelasse para o vitimismo exagerado.

Judy – Muito Além do Arco-Íris é um filme dominado por Renée Zellweger, que se entregou completamente a este papel que já é um dos mais importantes da sua carreira. A trilha sonora, inteiramente cantado por ela, torna a projeção ainda mais verdadeira. E aos que reclamam que a atriz parece estar em uma mesma nota durante o filme todo deveria realmente prestar atenção nas informações que a narrativa apresenta.

Merecidamente, Renée já levou todos os prêmios que concorria por este papel e já se prepara para ganhar o Oscar, o seu primeiro como atriz principal, por esta atuação impactante, triste e humanizada. Se o único desejo de Judy Garland era não ser esquecida, com este filme, a estrela dela nunca mais será apagada.

• Texto escrito originalmente para o site do Correio do Povo

Oscar 2020 tem Brasil entre os indicados, mas nenhuma mulher finalista em Melhor Direção

Petra Costa dirige de forma pessoal Democracia em Vertigem. Foto: Diego Bresani

A representatividade segue como um sonho ainda muito distante no Oscar. Na apresentação dos indicados da 92ª edição, que ocorre no dia 9 de fevereiro, a atriz Issa Rae chamou a atenção na categoria de Melhor Direção que não teve nenhuma mulher indicada. “Parabéns aos homens”, disse Issa na hora do anunciar Martin Scorsese, Quentin Tarantino, Todd Phillips, Bong Joon Ho e Sam Mendes como os finalistas da categoria.

E não foi por falta de opção. Greta Gerwig teve Adoráveis Mulheres indicado a Melhor Filme e em outras cincos categorias, mas foi esquecida em Melhor Direção, apesar de seu desempenho ter sido elogiado. Ela também conquistou prêmios como o do National Society Of Filmes Crititcs, uma das mais importantes associações de críticos dos Estados Unidos, por Melhor Direção.

Outros filmes dirigidos por mulheres da temporada passaram despercebidos como Harriet, de Kasi Lemmons, The Farewell, de Lulu Wang, Retrato de uma Jovem em Chamas, de Céline Sciamma, e As Golpistas, de Lorene Scafaria.

Documentários

A brasileira Petra Costa é a única mulher que dirige sozinha um documentário indicado ao Oscar com o Democracia em Vertigem.

Os demais indicados trazem mulheres dividindo a direção com homens, como ocorre em Honeyland (Tamara Kotevska e Ljubomir Stefanov), For Sama (Waad al-Kateab e Edward Watts) e American Factory (Julia Reichert e Steven Bognar).

Curtas

Nas categorias de curtas do Oscar, aparecem apenas dois documentários dirigidos por mulheres – Learning to Skateboard in a Warzone (If You’re a Girl), de Carol Dysinger, e Walk Run Cha-Cha, de Laura Nix – e três animações feito por quatro diretoras – Sister, de Siqi Song, Kitbull, de Rosana Sullivan e Kathryn Hendrickson e Daughter, de Daria Kascheeva.

Academia indica apenas um atriz negra

Além disso, somente uma atriz negra foi indicada entre as principais categorias. Cynhtia Erivo foi indicada a Melhor Atriz por sua performance em Harriet. Uma das expectativas era Lupita Nyong’o estar entre as finalistas por sua atuação no suspense Nós, assim como o longa de Jordan Peele aparecer em alguma das demais indicações.

Nenhum homem negro foi indicado em outra categoria principal. Eddie Murphy e o longa Meu Nome é Dolemite foi lembrado nas demais premiações americanas, como o Globo de Ouro e o Critic’s Choice Awards, mas não entrou na lista final do Oscar.

Coringa lidera indicações

Além de Petra Costa, o diretor brasileiro Fernando Meirelles também teve seu longa Dois Papas indicado em três categorias: Roteiro Adaptado, Melhor Ator e Ator Coadjuvante com Jonathan Pryce e Anthony Hopkins, respectivamente.

Coringa recebeu o maior número de indicações, com 11, seguido por O Irlandês, 1917 e Era Uma Vez em… Hollywood, que somam 10. O sul-coreano Parasita recebeu seis indicações, confirmando ainda mais o sucesso do filme na temporada de premiações.

O longa já levou, este ano, os prêmios de Melhor Filme Estrangeiro no Globo de Ouro e Critic’s Choice Awards, além da Palma de Ouro no Festival de Cannes 2019.

A 92ª edição do Oscar ocorre no dia 9 de fevereiro.

Confira a lista completa

MELHOR FILME
O Irlandês
Era uma Vez… em Hollywood
Parasita
1917
Jojo Rabbit
História de um Casamento
Adoráveis Mulheres
Coringa
Ford vs Ferrari

MELHOR DIRETOR
Martin Scorsese – O Irlandês
Quentin Tarantino – Era uma Vez… em Hollywood
Todd Phillips – Coringa
Bong Joon Ho – Parasita
Sam Mendes – 1917

MELHOR ATRIZ
Cynthia Erivo – Harriet
Renée Zellweger – Judy
Saior Ronan – Adoráveis Mulheres
Scarlett Johansson – História de um Casamento
Charlize Theron – O Escândalo

MELHOR ATOR
Joaquin Phoenix – Coringa
Adam Driver – História de um Casamento
Antonio Banderas – Dor e Glória
Leonardo DiCaprio – Era Uma Vez em… Hollywood
Jonathan Pryce – Dois Papas

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Laura Dern – História de um Casamento
Margot Robbie – O Escândalo
Scarlett Johansson – Jojo Rabbit
Florence Pugh – Adoráveis Mulheres
Kathy Bates – O Caso de Richard Jewell

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Joe Pesci – O Irlandês
Brad Pitt – Era uma Vez… em Hollywood
Al Pacino – O Irlandês
Tom Hanks – Um Lindo Dia na Vizinhança
Anthony Hopkins – Dois Papas

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
O Irlandês
Adoráveis Mulheres
Jojo Rabbit
Dois Papas
Coringa

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Era uma Vez… em Hollywood
Parasita
História de um Casamento
Entre Facas e Segredos
1917

MELHOR FILME INTERNACIONAL
Corpus Christi (Polônia)
Honeyland (Rússia)
Parasita (Coreia do Sul)
Dor e Glória (Espanha)
Les Misérables (França)

MELHOR ANIMAÇÃO
Como Treinar o Seu Dragão 3
Toy Story 4
Link Perdido
Perdi Meu Corpo
Klaus

MELHOR DOCUMENTÁRIO
American Factory
The Cave
Democracia em Vertigem
For Sama
Honeyland

MELHOR FOTOGRAFIA
1917
Era uma Vez… em Hollywood
O Irlandês
O Farol
Coringa

MELHOR EDIÇÃO
O Irlandês
Ford vs Ferrari
Jojo Rabbit
Parasita
Coringa

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO
O Irlandês
Era uma Vez… em Hollywood
1917
Parasita
Jojo Rabbit

MELHOR FIGURINO
Era uma Vez… em Hollywood
Adoráveis Mulheres
O Irlandês
Jojo Rabbit
Coringa

MELHOR TRILHA SONORA
Coringa
1917
Adoráveis Mulheres
História de um Casamento
Star Wars: A Ascensão Skywalker

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
I Can’t Let You Throw Yourself Away, de Toy Story 4
I’m Gonna Love Me Again, de Rocketman
Stand Up, de Harriet
Into the Unknown”, de Frozen 2
I’m Standing With You”, de Superação: O Milagre da Fé

MELHOR SOM
Ad Astra
Ford vs Ferrari
Coringa
1917
Era uma Vez… em Hollywood

MELHOR EDIÇÃO DE SOM
1917
Ford vs Ferrari
Coringa
Era Uma Vez em Hollywood
Star Wars: A Ascensão Skywalker

MELHOR MAQUIAGEM E CABELO
O Escândalo
Judy
Coringa
1917
Malévola 2

MELHOR EFEITOS VISUAIS
Vingadores: Ultimato
O Irlandês
O Rei Leão
Star Wars: A Ascensão Skywalker
1917

MELHOR CURTA ANIMAÇÃO
Dcera (Daughter)
Hair Love
Kitbull
Memorable
Sister

MELHOR CURTA LIVE ACTION
Brotherhood
Nefta Football Clube
The Neighbors’ Window
Saria
A Sister

MELHOR CURTA DOCUMENTÁRIO
In The Absence
Learning to Skateboard
Life Overtakes Me
St. Louis Superman
Walk Run Cha-Cha

História de um Casamento. Nem sei o que dizer…

Scarlett e Adam em suas melhores atuações

História de um Casamento chega para entrar no hall de filmes que são referências sobre fim de relacionamentos. Assim como já vimos em Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças, Closer – Perto Demais, Alabama Monroe e Namorados Para Sempre, só para citar alguns. O diretor Noah Baumbach traz aqui um novo olhar sobre o final de uma relação e até digo que com um toque mais fresco sobre o assunto. Digo isso, especialmente por identificar em Nicole (Scarlett Johasson) algo que já senti e certamente outras pessoas também.

História de um Casamento parte do que era para ser uma separação temporária e amigável para um divórcio tenebroso em que o pior de cada um acaba sendo exposto. Mesmo que involuntariamente. Mas o que me chama atenção é que alguém realmente se perde em meio a um relacionamento em prol do outro.

Nicole reclama que perdeu a sua personalidade em meio ao casamento com Charlie (Adam Driver) já que entendia que era o caminho certo a seguir, seja por admiração pelo companheiro ou porque estava apaixonada. E mesmo que a sua vida fosse encaixável ao do marido, ela sabe que aquilo nunca foi o que sonhou para si. E Nicole sente falta de si mesma e não é dentro deste relacionamento que ela vai conseguir se reconectar.

História de um Casamento parece ser muito atencioso a problemas que atingem o universo feminino. É importante que o diretor traga à tona discursos atualizados sobre a forma como as mulheres se sentem dentro de um relacionamento, especialmente por causa de todo o julgamento que se passa quando se é mãe e as culpas sobre este papel, e que tudo isso está mudando.

Laura Dern é o ponto alto do filme

O monólogo da advogada Nora (Laura Dern) é um dos pontos mais reveladores sobre o conceito de família, de como o papel de um casal é desigual dentro e fora de casa. A personagem chega para acordar Nicole e colocá-la no controle da sua vida novamente. E até mesmo da nossa. Nora quase lembra Renata de Big Little Lies pela sua agressividade, mas a advogada é um exemplo de que o racional e o emocional podem andar juntos, além de ser uma mulher que levanta a outra. Ninguém melhor que Laura Dern para este papel.

Não há mais do que falar sobre as atuações de Scarlett Johansson e Adam Driver. Tudo o que poderia ser dito, já foi, e eu nem tenho como escolher o meu favorito no filme. Se por um lado a atriz emociona e traz uma honestidade na sua personagem, o seu companheiro de cena também demonstra a frustração e desespero de perder esta batalha para a ex-esposa, já que antes tudo seguia conforme o seu roteiro. Os dois transbordam sentimentos, expõem raiva, dor e tristeza em discussões, olhares e gestos. Tudo o que uma vez já colocamos para fora para dizer adeus.