Três Verões: aprendendo a seguir o baile com o que sobrou

Empregados são abandonados pelos patrões após escândalo político

Em Três Verões, Edgar (Otávio Muller) e Marta (Gisele Fróes) formam um rico casal que todo verão, entre o Natal e o Ano Novo, recebem amigos e família para festas em sua mansão à beira-mar. Entretanto, quem de fato organiza a casa e gerencia os empregados é Madalena (Regina Casé), que sonha em comprar um terreno para que possa abrir seu próprio negócio. Com isso, ela pede ajuda ao patrão, que lhe empresta dinheiro para ser descontado mensalmente de seu salário, sem imaginar no quanto seria envolvida em seus negócios.

Dirigido por Sandra Kogut, Três Verões pode ter muitas semelhanças com Que Horas Ela Volta? por causa do tema principal que trata das desigualdades sociais, Regina Casé sendo a empregada bem-humorada de patrões ricos com problemas reprimidos para manter as aparências para todo mundo. Mas, o filme sabe ter a sua individualidade, apesar de não se aprofundar no que se propõe.

Três Verões apresenta a sua polêmica política, mas os verdadeiros protagonistas da história são aqueles que sofreram indiretamente com a prisão de Edgar, envolvido na Operação Lava Jato. Enquanto a família do criminoso foge ainda com seus privilégios, os empregados são abandonados em meio ao escândalo e precisam se virar para sobreviver com o que tem, ou melhor, com o que sobrou para eles.

Regina Casé domina Três Verões como a empregada Madá

O filme não quer criticar a corrupção e o comportamento da elite brasileira. Sandra Kogut está mais interessada em acompanhar os desdobramentos destes empregados que perderam as suas estabilidades financeiras e precisaram adiar um pouco os seus sonhos. O olhar sensível da diretora torna a história leve, tornando a produção quase como um sitcom, com seus pequenos episódios protagonizados pela Madá (Casé).

Regina Casé é a alma de Três Verões. Madá é completamente diferente de Val, de Que Horas Ela Volta? e de Lurdes, da novela Amor de Mãe, mas ainda tem a humanização que somente a atriz consegue dar para as suas personagens. Madá é independente, sem papas na língua e não se reprime diante dos comentários alheios. É ela que dá o empurrão para seguir o baile: tanto em seus companheiros quanto ao filme.

Três Verões é um bom filme que representa de forma sensível ao que o Brasil vive no momento, no que se trata da ganância daqueles que já tem muito e da desvalorização daqueles que orbitam ao seu redor. 

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