Filmes e séries da semana: I Know This Much Is True, Queer Eye, Um Crime Para Dois e Malcolm X

O que não falta é ter o que assistir nesta quarentena. Por isso, trago comentários das últimas produções que assisti na última semana. Aproveito para indicar o o perfil de Cine Looou no Instagram, onde também comento mais de outras cositas como Destacamento Blood, 13ª Emenda, O Caso do Homem Errado e Divinas.

I Know This Much Is True

Mark Ruffalo interpreta os irmãos gêmeos Dominic e Thomas

Mark Ruffalo protagoniza a produção dirigida por Derek Cianfrance, baseada no romance de 1998 com o mesmo nome de Wally Lamb. Não é uma história fácil e agradável. A narrativa é angustiante, pois não há um minuto de sossego na vida de Dominic (Ruffalo) que, ao longo da sua vida, e especificamente neste período retratado na minissérie, tenta salvar e acolher o máximo que pode o seu irmão esquizofrênico Thomas (Ruffalo).

Dominic acredita que é sua obrigação cuida do seu irmão, mas ele mesmo não se dá conta dos próprios problemas que acumulou na sua vida e como isso afetou todos os seus relacionamentos mais próximos. A minissérie sintetiza exatamente isso, como não estamos prontos para enfrentar e assumir os nossos erros, o que só nos prejudica e nos impede de seguir em frente.

I Know This Much Is True é uma minissérie que eu precisava. Faz a gente repensar nosso passado, dores e escolhas. Especialmente quando é necessário sair de si para enxergar a fonte das nossas desgraças. E assim, encontrar uma luz. A minissérie está disponível na HBO GO.

Queer Eye – 5ª Temporada 

Nova temporada de Queer Eye traz mudanças significativas na vida das pessoas

Queer Eye é uma série que não possui grandes mistérios sobre as suas temporadas, já que a gente sabe exatamente o que vai  encontrar: uma reconstrução pessoal e profissional na vida de alguém. E é sobre esta certeza que a série ainda segue como a queridinha dos seus espectadores, mas isso também depende dos protagonistas de cada episódio.

Como a série é sobre provocar mudanças significativas, esta transformação fica muito mais comovente quando é para aqueles que realmente tem urgência em suas vidas. Como por exemplo, famílias pobres que precisam de um empurrão nos negócios, pais sobrecarregados com suas mil jornadas e pessoas que ainda não se resolveram com sua sexualidade e identidade. São os episódios com grandes debates e mensagens que todo mundo precisa ouvir.

Já quando os Fab 5 resolvem atender homens adultos que ainda se comportam como adolescentes e adolescentes que só precisam de um banho, aí torna a experiência complementarmente superficial e sem necessidade. As cinco temporadas de Queer Eye estão disponíveis na Netflix.

Um Crime Para Dois

Issa Rae e Kumail Nanjiani carregam todo o carisma de Um Crime Para Dois

Protagonizado por Issa Rae e Kumail Nanjiani, o filme Michael Showalter é uma comédia romântica da Netflix sobre um casal que está passando por uma crise em seu relacionamento. Quando eles se veem de repente envolvidos em um misterioso assassinato, eles precisam tentar resolver o crime para limpar seus nomes enquanto tentam salvar a relação.

É um bom entretenimento para uma distração ocasional sem grandes conflitos ou dramas. Há apenas aquela sofrência básica sobre um casal que investiga tanto um assassinato quanto o seu próprio relacionamento. Este olhar mais interno sobre a vida do casal é o que deixa o tom mais carinhoso enquanto a narrativa intercala entre a comédia pastelão, que às vezes fica “americana demais”, e o suspense sobre o assassino que estão à procura e o crime que ele quer esconder.

Apesar da história não se manter sempre interessante, o carisma dos atores é o que conquista ao longo de toda projeção. O timing cômico de Issa Rae e Kumail Najiani carrega toda a narrativa nas costas e garante o quentinho no coração para quem quer um bom escape da realidade. O filme está disponível na Netflix.

Malcolm X

Denzel Washington arrasa como Malcolm X de Spike Lee

Todo cineasta tem um O Irlandês para chamar de seu. No caso do diretor Spike Lee, Malcolm X, a cinebiografia do ativista do Nacionalismo Negro nos Estados Unidos, foi um projeto ambicioso lançado em 1992 e resgata a trajetória do líder revolucionário desde da sua infância, marcada por tragédias, até o seu assassinato brutal em fevereiro de 1965.

Protagonizado por Denzel Washington, o filme não poderia ser mais ousado e aprofundado na história de Malcolm X. O filme sabe alimentar as três horas de duração com episódios que marcaram a vida de Malcolm e o que cada etapa representou na sua construção pessoal.

Com as peculiaridades de Spike Lee, especialmente com seus inserts sempre em cheio, Malcolm X é sobre a humanização deste ativista que marcou a história dos negros americanos e que foi vítima da suposta perseguição da Nação do Islã.

Spike Lee soube contar cuidadosamente de boa parte da trajetória de Malcolm, o que nos faz entender ainda mais a sua personalidade, os seus valores e as suas decepções. Principalmente nos introduz sobre o que era o islamismo, religião do protagonista. Fora que o filme também aborda o racismo nos Estados Unidos e como Malcolm tentou empoderar os negros naquela época, o que, de fato, incomodou muita gente. Malcolm X está disponível na Amazon Prime Vídeo.

Quem matou Malcolm X?

Assassinato de Malcolm X prendeu inocentes e deixou livre o suposto assassino

Se o filme de Spike Lee é uma boa introdução para quem quer conhecer Malcolm X, a série documental da Netflix complementa ainda mais a história do ativista. A investigação do assassinato traz muitas revelações sobre como as autoridades simplesmente negligenciaram o caso na época como forma de abafar o próprio envolvimento na morte de Malcolm. Claro, digo isso sobre a minha própria interpretação em cima dos dados que o historiador Abdur-Rahman Muhammad apura ao longo dos seis episódios.

A investigação a fundo do historiador, e grande admirador da história de Malcolm, conseguem chegar ao suposto assassino real: William X Bradley, também conhecido como Almustafa N. Shabazz. No entanto, o mesmo nunca chegou a ser considerado como suspeito pelas autoridades, mesmo com provas reais da sua presença no evento em que Malcolm levou 16 tiros em público, por causa da sua atuação na Nação do Islã, que segundo o documentário, se aliou ao FBI para dar um fim a Malcolm.

É uma produção chocante, ainda mais com documentos tão a disposição sobre o caso, que chegou a prender dois inocentes que nem sequer estavam presentes no ato da morte de Malcolm, e por mostrar a forma negligente como os Estados Unidos lidaram com a morte de Malcolm, como se ele não fosse digno de ter uma justiça sobre a sua morte. O que só evidencia como o país americano temia um líder que denunciava o racismo e pregou a luta armada contra os brancos. Quem Matou Malcolm X? está disponível na Netflix.

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