Bacurau é muito Bacurau!

Bacurau registra a luta de uma pequena comunidade do sertão

Depois de ser prestigiado lá fora, Bacurau finalmente chega nas salas brasileiras nesta quinta-feira. Com direção de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, o filme já foi premiado pelo Júri do Festival de Cannes e saiu vencedor de Melhor Filme do Festival de Cinema de Munique. Tá bom para você?

Bacurau tem uma sinopse misteriosa, com mortes aleatórias, que assim como o pássaro que dá nome ao lugar, parece que também está ficando extinta. Sem contar que tem um povoado com figuras peculiares, mas que são sensacionais. Da prostituta que atende sem pudor à médica que aparece bêbada em um velório, a cidade é especial, cuida dos seus e afronta, de forma unânime, o próprio prefeito.

Com uma premissa dessas, Mendonça e Dornelles criaram um filme tão único, que é impossível comentar alguma coisa sem entregar tudo. Porque depois da sessão, você quer dividir tudo que absorveu e viveu em Bacurau. Neste longa, Kleber aperfeiçoou ainda mais o seu cinema. Quem já assistiu O Som Ao Redor e Aquarius, vai identificar a essência do cineasta, que é a luta do seu protagonista para sobreviver, pelo o que acredita ser o certo, pelo seu chão.

Pequena cidade é mais forte do que se imagina

O grande triunfo do filme é a experiência completa por passar por Bacurau. A contextualização do primeiro ato, onde conhecemos o ambiente, os costumes e as pessoas, faz com que o público visite a cidade e se sinta em casa. É necessário esta conexão para que a narrativa abra as suas camadas e o espectador não só se importe com a história, mas também vá desvendando os mistérios. E o filme só melhora conforme vai se desenvolvendo.

Apesar deste desenrolar, que mais parece um suspense, Bacurau não foge da nossa atual realidade. Logo no início, ao nos situar que estamos assistindo uma história que se passa em um futuro não muito distante, a trama parece ser muito presente por causa da violência excessiva e sem razão, especialmente vinda de fora, de estrangeiros, como solução ou como forma de demonstrar poder.

Os estrangeiros subestimam os moradores de Bacurau

Bacurau dialoga muito com a violência e a resistência, dois tópicos muito recorrentes dentro da nossa sociedade. Se por um lado, a violência é entregue em forma verbal e física, por outro, há uma resistência em defender a própria existência. Por mais que alguém tente acabar com ela. E o filme triunfa justamente por causa disso, porque ele nos dá aquela pequena esperança, de quando uma comunidade, ou falando de forma mais poética, uma minoria se une, não há quem consiga derrubar. 

Faltam palavras para descrever o quanto Bacurau é Bacurau, já que para mim, o nome desta cidade é sinônimo de força e resistência. Mendonça e Dornelles criaram um filme tão sensacional, que mesmo carregado com uma mensagem séria, consegue divertir, provocar reflexões e apresentar uma história de luta tão simbólica que serve de exemplo para todo o mundo.

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