Mormaço inspira resistência urbana de forma poética

Marina Provenzzano é Ana em Mormaço

Nunca a mensagem de resistência foi tão importante. Em Mormaço, filme de Marina Meliande, exibido primeiramente no Brasil no 46º Festival de Cinema de Gramado, uma simples pergunta coloca em reflexão sobre a transformação de uma cidade. “Você percebeu que a cidade está desaparecendo?”, questiona Ana (Marina Provenzzano). São nestas simples deixas de “Mormaço” que o filme desabrocha.

Na história, conhecemos Ana, uma defensora pública que dedica o seu trabalho na luta ao lado dos moradores da Vila Autódromo, uma comunidade pobre do Rio de Janeiro, que sofre ameaça de remoção para a construção de projetos voltados para as Olímpiadas. Ao mesmo tempo, a personagem também vive assolada pela mesma situação em seu prédio na Copacabana, zona Nobre carioca, para um empreendimento hoteleiro. O estresse acaba se manifestando no corpo de Ana, que desenvolve uma doença misteriosa que resulta em uma forte transformação corporal.

O filme da diretora Marina Meliande pode ter diversas interpretações, mas a força dele está explicitamente no fator político. A diretora construiu uma simbologia poética em cima de dramas reais que acontecem no nosso cotidiano e tampouco é discutido. O que poderia ser um simples longa com dramas sociais transforma-se fantasticamente no gênero de horror ao depositar toda a energia negativa da situação na no físico da personagem Ana.

Marina Provenzzano empresta o corpo e o psicológico para compor esta protagonista de maneira firme e ao mesmo tempo doce. O filme caminha no ritmo do trabalho de Marina, que começa sutilmente e logo em seguida vira o próprio caos. A atriz transparece em cena todo o sofrimento que a personagem descarrega no próprio corpo. Assim como Sandra Maria, que interpreta Domingas, moradora da Vila Autódromo, e participa do filme emprestando a sua história. Ela revive e dá o toque realistíco de um horror que é uma situação de despejo.

Mormaço puxa a fantasia para contar uma história carregada de dramas que acontecem diariamente, especialmente nas grandes metrópoles. A mensagem do filme é importante para reforçar e inspirar o ato de resistência para aqueles que precisam. Em Porto Alegre, o filme está em cartaz no CineBancários.

Em agosto do ano passado, eu cobri o 46º Festival de Cinema de Gramado pelo Correio do Povo e entrevistei a equipe de Mormaço. Confere aí:

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