Maratona Oscar 2019: Parte 2

Viggo Mortensen e Mahershala Ali tem ótima sincronia em cena

Faltam poucos dias para o Oscar e ainda não comentei sobre alguns dos filmes que concorrem ao principal prêmio da noite. No primeiro post, eu falei sobre os meus favoritos da temporada, inclusive alguns que mereciam maior reconhecimento como é o caso de Cafarnaum, e agora vamos debater sobre os filmes que nem tão cedo vou querer revê-los.

Green Book – O Guia ★★

Indicado a cinco categorias, inclusive Melhor Filme, o filme do diretor Peter Farrelly carrega um tema importante a ser discutido, mas o faz de forma tão antiquado que parece que estamos, de fato, nos anos 1960. Se a intenção era provocar uma empatia à vida de Don Shirley (Mahershala Ali), um famoso e conceituado pianista negro que realiza uma turnê no Sul dos Estados Unidos, onde a segregação racial ainda era dominante, o filme passa rasteiro. Digo isso pois assistimos uma história sobre racismo sob o ponto de vista de Tony Lip (Viggo Mortensen), um ítalo-americano branco. Estamos em 2019, por que ainda insistir nesta ordem de papéis? Existe a simplicidade de inverter estes protagonismos e ainda assim ter uma história justa a ser contada.

Além disso, Green Book ainda erra em diversos aspectos. Fora as atuações grandiosas de Ali e Mortensen, que realmente constroem uma ótima sintonia em cena, o filme carrega o tom de ser “descarrego de culpa”. É como se tentasse colocar a culpa do racismo em determinados personagens e não no sistema todo que criou estes “vilões” na sociedade. O filme não assume os erros que diversas gerações plantaram para que aqueles ataques acontecessem e ainda persistem. Green Book tenta, incomodavelmente, dar alívios cômicos com Tony Lip, um homem carregado de preconceitos, ignorâncias e brutalidades, como se isso fosse charmoso.

Enfim, o longa tem muitas chances de levar o Oscar de Melhor Filme justamente por repetir a dose de achar que lavou as mãos com a dívida histórica que tem com os negros, ao amarrar um final feliz que a gente sabe que não existe.

Christian Bale mostrando o que é trabalho perfeito como Dick Cheney

Vice ★★★

Estava demorando para que os filmes políticos americanos voltassem ao seu tradicional lugar no Oscar. Este ano é a vez de Vice contar a história do ex-vice-presidente Dick Cheney (Christian Bale) e todas as artimanhas que o tornaram poderoso dentro da Casa Branca. O filme de Adam McKay é, de longe, o que menos me interessou.

Se não fosse pelas oito indicações na premiação, Vice passaria despercebido não só por mim, mas pela maioria. Não que o longa seja ruim. Muito pelo contrário. O diretor aperfeiçoa todos os truques que assistimos anteriormente em A Grande Aposta e repete diversos elementos como a participação de figuras famosas em pequenas dobradinhas, a montagem energética e eficiente e, claro, o sarcasmo e ácidez em cima do roteiro.

É impressionante como McKay consegue manter um pique ao longo da história e não deixar monótono uma conversa sobre negócios, estratégias políticas, empresariais e etc. Mas tenho impressão que o filme enfeita muito para justamente manter o interesse do público e de fato, não entregar uma essência, talvez, mais humana do protagonista. Pois, realmente, a trajetória de Dick Cheney aparentava realmente ser uma ficção, de representação do sonho americano, mas no fim das contas, é apenas o agito pelo agito.

E nem preciso mencionar o quão perfeito Christian Bale está neste papel. Entrega e perfeccionismo são o que resumem o trabalho de Bale em Vice. Merece o Oscar de Melhor Ator? Eu entregaria até o de Melhor Filme só por todos os filmes que ele já fez.

A Esposa fica abaixo do que Glenn Close merecia

A Esposa ★★

Glenn Close deve levar o Oscar de Melhor Atriz por este filme dirigido por Björn Runge. Concordo? Nenhum um pouco. No entanto, A Esposa é, definitivamente, o típico filme que faz com que uma atriz seja premiada pelos motivos errados. Não diminuindo o desempenho de Glenn Close neste filme, mas a sua personagem não é digna o bastante, visto que Joan fica na sombra do marido Joe Castleman (Jonathan Pryce) boa parte da história escondendo os seus verdadeiros sentimentos.

Ela é a esposa clichê sempre ao lado do companheiro, atende todas as vontades e basta um acontecimento para que ela desperte para a vida. Novamente, uma história em que a mulher fica submissa não só ao marido, mas também pela história em si. Joan não é protagonista em A Esposa, a história não acontece por causa dela, mas pela conquista do Prêmio Nobel de Literatura do marido. Um escritor. A profissão dos seus sonhos e do qual abriu mão para focar no casamento. Quando digo que o papel não é memorável o bastante para consagrar a jornada de Glenn Close no cinema são por estes motivos preguiçosos.

Apesar do filme ter uma revelação polêmica, do qual eu adoro, deixa um amargo na sua conclusão, pois torcemos muito pela redenção de Joan, mas parece que, assim como na vida, o homem sempre vai dar um jeito de sair bem na foto.

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