Merlí e suas merlinadas

Se eu pudesse indicar uma série do catálogo da Netflix seria Merlí. O programa mostra a rotina do professor de filosofia Merlí Bergeron (Francesc Orella) que após ficar desempregado consegue uma vaga na escola o seu filho Bruno (David Solans) estuda e o que poderia se tornar constrangedor vira um caos total. Merlí não é um simples professor ou um homem formal. Ele é impulsivo, criativo, manipulador e sem um pingo de filtro na sua boca. E melhor, a sua vida é totalmente baseada em grandes mestres da filosofia.

Já no primeiro dia de aula, Merlí tira todos os alunos da sua zona de conforto e os leva para uma aula dentro da cozinha da escola e lá coloca os jovens na mesma posição que os peripatéticos, discípulos de Aristóteles, que costumavam aprender as teorias do filósofo: caminhando e refletindo. Referências de outros teóricos não são poucas dentro da série. Só pelo fato de Merlí provocar a mente dos seus alunos foi o bastante para conquistá-los à primeira vista. Apesar da relutância dos demais professores da escola, cada um vai percebendo que toda “merlinada” que o protagonista causa não é só para o bem dos outros, mas urgentemente necessário.

Os ensinamentos nada ortodoxos de Merlí são o gatilho para que os jovens se inspirem nas filosofias e comecem a praticá-las em suas vidas. A série seduz muito com as reflexões propostas e melhor ainda, coloca questionamentos provocantes sobre pequenos detalhes que vão desde relacionamentos amorosos, comportamento, a sociedade e até os sentimentos. A essência do programa, claro, fica em cima do professor Merlí que tem uma personalidade difícil que se mantém fortemente durante as três temporadas, mas que volta e meia apresenta as suas fragilidades. Ele é o cara que muda com palavras a vida de colegas e alunos tentando tirar a máscara da hipocrisia que os sufoca. E aí está a grande lição do personagem que é trazer a verdade para todos, indagar a si e os outros e abrir os olhos para o mundo.

Eu poderia classificar Merlí como uma Malhação com Filosofia. Porque apesar da temática filosófica ser o grande atrativo da série, a narrativa é leve e gostosa de acompanhar. A turma dos alunos estão no ensino médio e passam por situações universais como virgindade, sexualidade, problema com os pais, bullying e etc. No entanto, o roteiro não subestima nenhum drama e nem os trata como crianças. Eles conseguem evoluir a cada episódio e com muito estímulo de teorias aprendidas na sala ou onde o Merlí tenha dado aula, os personagens são tratados com maturidade, respeito e sinceridade como toda juventude deveria ser educada.

Merlí é um estímulo para os que gostam de continuar digerindo uma série depois de assisti-la. Merlí é excitante para quem gosta de chutar o balde e sair do seu quadradinho. Merlí é tudo o que você precisa para entender o mundo.

Nota: ★★★★ 

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