Bio ★★★★★

Bio é anunciado como um documentário impossível, mas a verdade é que se trata de um filme imaginativamente possível. Exibido nessa quinta-feira na 45ª edição do Festival de Cinema de Gramado, o longa do diretor Carlos Gerbase é narrado por 39 personagens que recordam acontecimentos que moldaram o caráter deste protagonista que vive apenas nas palavras ditas ao espectador e nunca é apresentado em cena. O mais interessante deste falso documentário é provocar o público a criar a sua própria opinião deste personagem sem nome, que nasceu de tabelinha e viveu por 101 anos na Terra. Não seria exagero em considerá-lo um dos melhores longas exibidos nesta semana no evento serrano que tem sua mostra encerrada nesta sexta-feira. Então não vou me acanhar e sim, vou classificá-lo como o meu segundo favorito do Festival, sendo o primeiro ainda com As Duas Irenes.

Mas voltando a Bio, o diretor Carlos Gerbase construiu uma narrativa em que desde dos pais até a neta, toda a inusitada história deste personagem é revelada em depoimentos de pessoas que participaram efetivamente na sua vida. O filme é separado por capítulos e sempre com três personagens que de forma muito ágil e natural, conversam, riem e desabafam sobre o determinado período que estão relembrando. O mais fascinante de Bio é o roteiro, que também foi escrito por Gerbase, ser basicamente criado a partir dos diálogos e que instigam o público a costurar cada uma das histórias que estão sendo narradas e que juntas, formam uma só. Outro detalhe que pode ser considerado dificílimo para os realizadores de documentários é colher depoimentos logo após de tais fatos terem ocorrido. Este é outro item ousado do diretor que não se limitou em construir este registro que segue uma linha cronológica, mas que capta a fala dos envolvidos sempre no tempo presente. Então vai ter os irmãos exatamente caracterizados nos anos 1960, da professora do colégio após uma confusão em 1970 ou da neta que é responsável por criar esta “biografia” do avô e presta suas última palavras para contar quem foi este ser humano singular em 2070.

Bio é provocativo por justamente atiçar desde dos primeiros minutos de projeção. É um falso documentário que faz cada um criar a sua própria percepção deste ser que colheu uma vida cheia de experiências maravilhosas, fruto, talvez, da sua mania de sempre falar a verdade. E melhor, faz com que nossa mente trabalhe para costurar a história deste cara que não passou em vão neste universo. Bio é genial na sua execução, na sua interpretação e principalmente, na nossa imaginação.

Bio (2016) | Direção e Roteiro: Carlos Gerbase | Elenco: Maria Fernanda Cândido, Maitê Proença, Marco Ricca, Werner Schünemann, Rosanne Mulholland, Sheron Menezzes, Tainá Müller, Bruno Torres, Branca Messina, Felipe Kannenberg, Carla Cassapo, Artur Pinto, Roberto Oliveira, Mateus Almada. Luísa Horta, Lívia Perrone, Nadya Mendes, Milena Corte, Léo Ferlauto, Enzo Petry, João Pedro Alves, Júlia Bach, Thainá Gallo, Gabriela Poester, Júlio Conte, Felipe De Paula, Luiza Ollé, Elisa Heidrich, Carlos Cunha, Déborah Finocchiaro, Nadinne Oliveira, Fredericco Restori, Luciano Mallmann, Giulia Góes, Guilherme Kury, Zé Victor Castiel, Fernanda Carvalho Leite, Charlie Severo, Girley Paes | Gênero: Drama | Nacionalidade: Brasil | Duração: 105min

• Filme assistido na 45ª edição do Festival de Cinema de Gramado

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