Mulher-Maravilha ★★★★★

Mulher-Maravilha chega aos cinemas com muitas responsabilidades para cumprir na história da indústria. Além de ser o primeiro filme, de fato, protagonizado por uma mulher no papel de uma super-heroína, o longa também tem a missão de salvar a pele da DC Comics depois de fiascos como Esquadrão Suicida e Batman Vs Superman: A Origem da Justiça. E a verdade é que nunca houve tantos acertos em um filme da DC. Começando pela escolha da diretora Patty Jenkins  que soube colocar a força feminina em um universo cheio de super-heróis e agora abre um novo caminho para esta representatividade que tanto precisávamos. Em uma rápida pesquisa, é possível encontrar apenas três filmes inspirados nos quadrinhos da Marvel e DC que possuem uma mulher como protagonista: Supergirl (1984) com Helen Slater, Mulher-Gato (2003) com Halle Barry e Elektra (2004) com Jennifer Garner. Porém, nem por isso significa que são obras originaisO primeiro é uma versão feminina do Superman e as duas últimas são spin-off de Batman e o Demolidor, que na verdade nem são heroínas de verdade. A Mulher-Maravilha tem este frescor por se tratar de uma história que desde sempre caminhou com as próprias pernas.

O filme não necessariamente apresenta uma continuação de Batman Vs Superman, onde Gal Gadot fez a sua estreia no papel, mas apresenta as origens da amazona que nasceu e foi criada na ilha Themyscira. O lugar tropical, pacífico e colorido que é habitado somente por mulheres contrasta com o mundo frio, violento e triste dos humanos que sofrem com os horrores da Grande Guerra (como é mencionado no filme), ou como é popularmente conhecido, a Primeira Guerra Mundial (1914-1918). A rotina na ilha muda quando o espião britânico Steve Trevor (Chris Pine) é salvo por Diana (Gadot) após fugir dos alemães. Ao saber do que acontece no mundo dos homens, Diana é tomada pelo espírito de altruísmo e vê a necessidade de acompanhar o soldado em Londres para ajudar a salvar a humanidade. A partir deste ponto que o filme de Jenkins começa a ganhar forma e desenvolver a transformação de uma jovem ingênua para uma mulher guerreira.

Mulher-Maravilha possui os mesmos elementos que estamos muito acostumados a assistir em filmes de super-heróis e nem por isso se torna extremamente previsível e cansativo. Afinal, se não fosse para lutar contra o mal, os personagens não carregariam o título de heróis no fim do dia. Como uma espectadora, o longa provoca um orgulho tremendo em assistir uma mulher lutando bravamente contra os vilões assim como vemos Homem-Aranha, Thor, Batman, Superman e até o inesperado Deadpool constantemente nos cinemas. Para uma mulher, isso tem um significado imenso de igualdade e representatividade nas telas. E não se trata apenas das questões de gênero. O longa também abre espaço para que Diana construa sua própria percepção sobre outra realidade bem distante da perfeição da sua casa ao conhecer problemas raciais que atingem os seres-humanos. Como acontece com seus parceiros de guerra, o árabe Sammer (Saïd Taghmaoui) e o índio The Chief (Eugene Brave Rock), e também toma parte de batalhas pessoais que algumas pessoas enfrentam como o alcoólatra  Charlie (Ewen Bremner). Eles também entram na Grande Guerra por seus respectivos motivos, mas com o propósito de não se sentirem mais omissos em relação a tanto sofrimento. Assim como a protagonista, todos mostram que a honra de ajudar o próximo pode ser mais recompensadora do que simplesmente fugir quando há um pedido de socorro de um estranho.

A atriz Gal Gadot não poderia ter sido a melhor escolha para o papel. Ela pode apresentar uma aparência inofensiva, mas está longe de entregar uma heroína fraca. Com poucos filmes no currículo e com experiência de sobra no exército de Israel – onde serviu por dois anos-, Gadot mostrou uma interpretação competente e segura durante a projeção. A sua inocência perante o mundo dos homens traz os risos para aliviar a tensão da história e o mesmo ocorre com Chris Pine ao conhecer Themyscira. O ator também não está nada mal e é responsável por uma das cenas mais emocionantes. Mostrando totalmente o impacto que Diana teve na sua vida. O romance entre os dois também é transmitido de forma doce e equilibrada. Já que qualquer exagero poderia atrapalhar os objetivos do casal. Quem também merece todos os elogios possíveis é Robin Wright como Antíope. A postura forte da atriz é transmitido tanto pelo seu físico quanto pelas suas palavras. É extremamente arrepiante vê-la cavalgando e lutando com seu batalhão, e não é difícil de entender o por quê Diana querer tanto se tornar uma amazona como Antíope.

A diretora Patty Jenkins fez o que qualquer outro profissional faria para tornar um filme tão esperado se tornar um bom resultado: assistir os últimos trabalhos da DC Comics e fugir dos erros. O longa funciona perfeitamente e entrega tudo aquilo que as expectativas, principalmente as femininas e fãs do gênero, tanto aguardavam. Tem lutas incríveis, trilha sonora empolgante e um roteiro simples e inteligente. Sinceramente não enxergo defeitos que poderiam prejudicar o longa. A união de ter uma super-heroína protagonizando um blockbuster dirigido pela primeira vez por uma mulher reproduz uma imensa vitória para o público feminino em um gênero que é tão dominado pelos homens. Não que seja um descaso com os antigos heróis e que tanto nos acompanharam ao longo destes anos, mas a chegada da Diana Prince nos cinemas é tudo que nós, mulheres, queríamos e precisávamos. Talvez nem todos compreendam a mensagem que o filme carrega para o sexo feminino, mas a verdade é que a indústria, que é tão carente desta representatividade, finalmente tomou coragem para investir em um filme feminista como Mulher-Maravilha. O futuro vai agradecer a este projeto que certamente vai ser fonte de inspiração para que mais heroínas possam salvar o mundo. Ou pelo menos, a reputação da DC Comics.

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