Minhas mães no cinema: Regina Casé em Que Horas Ela Volta?

Eu prometi que neste pequeno especial em alusão ao Dia das Mães, eu não iria repetir filme que já tivesse escrito no blog. Tentei, mas não consegui pensar em nenhuma outra personagem com um grande significado como Regina Casé como Val em Que Horas Ela Volta? (2015). Sabe por que? Porque Val é minha mãe e também é a mãe de milhões de brasileiros. Uma mulher que saiu de uma cidade pequena lá do Nordeste para tentar um emprego melhor na grande metrópole no Sudeste do Brasil. Tudo isso para sustentar a filha Jéssica (Camila Márdila) que não seguiu viagem com a mãe para São Paulo, ficando sob os cuidados de parentes, enquanto Val perdia o crescimento da jovem. E como se o círculo não tivesse fim, o mesmo acontece na casa onde Val trabalha. Dona Bárbara (Karine Teles) também é uma mãe ausente, deixando o filho Fabinho (Michel Joelsas) para a empregada cuidar. Então todo amor e carinho que Val guardava foi entregue para Fabinho, que tem a empregada como uma segunda mãe, literalmente.

Esta é uma realidade que acontece desde que o mundo é mundo e acontece todos os dias. Principalmente no Brasil. A mãe que trabalha fora o dia inteiro para dar uma uma vida melhor aos filhos, na intenção de que eles tenham tudo aquilo que não tiveram quando eram mais nova. É um sentimento universal de mãe. Só que em Que Horas Ela Volta? também mexe com um segundo ponto que é a questão social. Enquanto que Val é de uma época em que alguém de baixa renda não tinha voz e aceitava tudo de cabeça baixa do chefe, Jéssica é da geração que pede igualdade e respeito independente da situação financeira de qualquer um. Jéssica é também herdeira de uma época em que as oportunidades para os mais pobres se abriram, especialmente nos estudos, o que a faz tão competente quanto alguém que teve uma educação escolar superior a sua. Há uma divergência em culturas tão diferentes? Tem e muita. Daquelas que você se sente constrangida pela amiga. Mas o bom é que Val, percebendo que o sangue fala mais alto, começa a se abrir e entender tudo que Jéssica tem a dizer.

Por fim, Que Horas Ela Volta? tem uma imensa mensagem pois muito vi minha mãe, me vi e muitas outras figuras que conheci na vida sendo retratadas no filme de Anna Muylaert.  Não é à toa que eu, hoje formada em duas faculdades, só fui capaz disso tudo com o esforço que a “minha Val” teve para que eu pudesse realizar tanto os sonhos dela quanto os meus.

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