The Crown ★★★★

Criação e Roteiro: Peter Morgan | Elenco: Claire Foy, Matt Smith, Vanessa Kirby, Anthony Eden, John Lithgow, Victoria Hamilton, Ben Miles | Gênero: Drama | Nacionalidade: Reino Unido e Estados Unidos | Duração: 1ª Temporada – 10 Episódios |

A Netflix se tornou responsável por aumentar nossas listas de séries que viramos madrugada assistindo com maratonas. Não sou dessas e nunca consegui engatar mais que dois ou três episódios seguidos. Mas volta e meia, aparece um programa pelo qual preciso degustar rapidamente e resolvo assumir um novo compromisso. A escolhida da temporada foi The Crown que reconta os primeiros anos da atual monarquia britânica lá nos anos 1947, quado a Rainha Elizabeth II assumiu o posto deixado pelo seu falecido pai, Rei George VI. Para os amantes da história e principalmente para os adoradores da Inglaterra, The Crown é um deleite imenso com detalhes históricos, clima de realeza, bastidores da política e muito draminha, claro. A série foi vencedora da categoria Melhor Série Drama no Globo de Ouro deste ano, e mesmo que não tenha me aguçado a curiosidade instantaneamente, o fato dela não ser extremamente hype, se tornou charmosa aos meus interesses. Não deu em outra, logo nos primeiros episódios, a sutileza da narrativa e pelo carisma que os personagens de George (Jared Harris) e Elizabeth (Claire Foy) transmitem, fizeram com que me apaixonasse por tudo que ronda a coroa.

A interprete Claire Foy é a personificação de uma verdadeira soberana. Sua postura calma e olhar intenso são as características marcantes de sua personagem que tem que lidar com tamanho peso de assumir o trono aos 25 anos. Logo quando mal começou um casamento e com dois filhos no colo. Imagina só! Porém, Lilibet comanda tudo com a mais perfeita classe e respeito com os demais, e por causa disso, a minha admiração por ela aumenta a cada episódios. Ela se mantém firme, forte e acima de tudo, focada no seu dever como chefe de estado. E por muitas vezes, estamos contrariados com a sua decisão, mas em nenhum instante a questionamos pelas suas escolhas. Afinal, temos que lembrar de suas responsabilidades acima de tudo, ainda mais por se tratar de uma mulher governando um país conservador. Sobretudo ao ter que enfrentar o primeiro ministro Winston Churchill, aqui magistralmente interpretado por John Lithgow, seu marido o Rei Phillip (Matt Smith) que se vê encurralado em várias situações e se sente rebaixado por causa disso e por seus secretários pessoais que insistem em atrapalhar em determinados casos. Apenas me corta o coração quando a coroa fala mais alto em relação a sua irmã Margareth (Vanessa Kirby), a mais injustiçada na família Windsor. Os seus embates familiares são os responsáveis pelos capítulos mais emocionantes e tristes da série. E por isso torna a produção ainda mais envolvente. Afinal, se tirarem as coroas, os mantos, os palácios e as tradições, o que ficam são apenas pessoas comuns com muitos sentimentos a serem explorados.

O roteiro que foi escrito pelo criador da série, Peter Morgan, nos apresenta diversos momentos reflexivos. Longe de ser White People Problems, os dramas são simples, porém extremamente sinceros. E o que mais me inspira é pela forma como todos lidam com os percalços que aparecem. Eles sofrem, como qualquer ser humano, mas rapidamente levantam a cabeça. Mesmo que alguns personagens guardem ressentimentos, em nenhum momento rebaixam o desafeto. Pode ser uma cultura diferente, mas perceba o quão fácil poderia cair naquele rancor gratuito, enquanto que aqui, todos os momentos são equilibrados e ambos os lados expostos. A direção cuidou muito bem para manter a imagem sóbria da realeza, mas sem ser puxa-saco. O patriotismo que os britânicos têm pela sua terra está lá, assim como a grandeza do Palácio Buckingham, as regras que a rainha ainda tem que manter, a politicagem que precisa administrar e assim por diante. The Crown está longe de ser uma série que irá retratar a história didaticamente pois isso iria demandar mais capítulos do que realmente necessita. O programa é meticulosamente dividido entre a vida pessoal e a “profissional” da rainha Elizabeth. Alguns podem achar difícil o entrosamento nesta imersão totalmente diferente da nossa realidade e também pela sua narrativa lenta, faria com que muitos abandonassem pela metade. Mas vamos ser sinceros, a realeza não é para todos, darling.

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