Kong: A Ilha da Caveira ★★★

Kong: Skull Island | Direção: Jordan Vogt-Roberts | Roteiro: Dan Gilroy, Max Borestein e Derek Connolly | Elenco: Tom Hiddleston, Samuel L. Jackson, Brie Larson, John C. Reily, John Goodman e Corey Hawkins | Gênero: Ação e Aventura | Nacionalidade: Estados Unidos | Duração: 1h58min |

Com tantos recursos tecnológicos para criar um monstro assustador em um computador, às vezes perde a graça assistir tais efeitos que não provocam nem o encantamento de uma boa produção. Em Kong: A Ilha da Caveira, o monstro que mora neste local perdido no Pacífico Sul, consegue mexer com a sensibilidade do mais distraído na sala de cinema. De longe, os efeitos sonoros e visuais são os que mais se destacam no longa dirigido por Jordan Vogt-Roberts. Desde da primeira cena em que caímos junto com dois personagens sobreviventes da Segunda Guerra Mundial, a ação não demora muito para inserir King Kong em cena e mostrar que não está para brincadeira. É merecedor de muitos elogios a capacidade técnica em criar este animal e deixá-lo o mais realístico. E o som é tão ensurdecedor que deixa o medo tomar conta até do mais incrédulo que vai incomodar dizendo que é apenas um filme.

O roteiro é criativo em misturar fatos históricos com a ficção, além de trazer referências cinematográficas que deixam o filme com mais ar de nostalgia. A introdução do filme traz informações contextualizando de onde partimos historicamente até para onde vamos. É inegável que qualquer trama que envolva um enorme monstro da natureza nos remeta a filmes anteriores como o pioneiro King Kong (1933), de Merian C. Cooper e Ernest B. Schoedsack, e a versão nem tão bem sucedida de Peter Jackson de 2005. Mas aqui é reconhecível o esforço para deixá-lo com toques originais. Começando pela trilha sonora recheado de clássicos do rock que vão desde Black Sabbath até Creedence Clearwater Revival. Se em Mad Max: Estrada da Fúria temos um guitarrista que acompanha a louca corrida pelo deserto, em Kong há um soldado militar que carrega para cima e para baixo, uma vitrola portátil que toca os sucessos da época como Ziggy Stardust de David Bowie. O elenco é outro destaque interessante, deixando os núcleos dos cientistas e militares com bastante carisma. Preston Packard (Samuel L. Jackson) lidera a equipe dos militares que viajam para ilha logo após o fim da Guerra do Vietnã, Bill Randa (John Goodman), James Conrad (Tom Hiddleston) é o explorador que sabe andar no meio do mato e Mason Weaver (Brie Larson) é uma fotojornalista que vai registrar a viagem, mas seu personagem se revela a mais dispensável na história. Com poucas falas, pouco agrega na expedição na ilha e ainda tem discurso de anti-guerra raso demais. A única utilidade de Brie no filme é para o momento clássico na relação de mocinha e King Kong que irá sensibilizar o animal. Infelizmente, seu personagem poderia acrescentar mais na aventura e não sendo apenas um rosto bonito no meio da correria toda.

A direção de Jordan Vogt-Roberts é eficiente na recriação do King Kong ao não colocar o animal como inimigo, mas como um simples protetor do seu habitat. Se no primeiro momento, há o terror e o medo que a criatura provoca, no decorrer do longa, há uma virada de percepção ao entrar na vida deste “ser” desconhecido. O filme tem um tom de politicamente correto devido ao bando reconhecer que aquele lugar não os pertence, que não existe guerra para lutar e que precisam agir certo com o ambiente e com as criaturas daquele espaço. Mas para não ser uma história tão pacífica e amigável assim, há o contrate do amargurado personagem de Samuel L. Jackson, mais uma vez em uma interpretação grandiosa, ele se torna o mais detestável ao querer enfrentar o monstro pelos motivos errados. Dando mais um motivo para cenas de embates e olhares vingativos. Kong: A Ilha Da Caveira é um bom entretenimento que dá um novo frescor à história deste ser tão ícone no cinema, utilizando os efeitos a seu favor, e também aproveitando o embalo, deixa mais um suspense na cena pós-créditos.

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