Somos todos #LaLaLand e #Moonlight

HOLLYWOOD, CA - FEBRUARY 26: ''La La Land' producer Jordan Horowitz (L) hands over the Best Picture award to 'Moonlight' writer/director Barry Jenkins following a presentation error onstage during the 89th Annual Academy Awards at Hollywood & Highland Center on February 26, 2017 in Hollywood, California. Kevin Winter/Getty Images/AFP
O produtor de La La Land, Jordan Horowitz, entrega o Oscar para o diretor de Moonlight, Barry Jenkins.

A noite da 89ª edição do Oscar irá entrar para história da premiação da pior forma possível: sob um fiasco irreparável. Ao contrário do que o mundo pense, La La Land – Cantando Estações e Moonlight – Sob A Luz do Luar são dois filmes competentes e maravilhosos por suas particularidades e mereciam um mundo de Oscars. Mas infelizmente, a forma como tudo foi executada foi de um constrangimento doloroso. Primeiro por deixar a equipe de La La Land humilhada enquanto Moonlight tem o seu grande momento legítimo roubado. Não há meio termos. Imagine-se no lugar de cada um deles: primeiro você tem que engolir a vergonha de ter comemorado um prêmio que não era seu e se sentir desconfortável em receber um prêmio, que foi muito merecido, pois isto causou a desilusão do outro diante de milhares de pessoas. O que antes parecia mais um momento Kanye West ou até mesmo Adele no Grammy querendo dividir o prêmio, deixou o mundo boquiaberto ao revelarem que não era uma brincadeira ou gesto de solidariedade dos produtores de La La Land. Era tudo verdade e que deixaram acontecer por tempo demais, piorando ainda mais a situação que deveria ser de festa para ambos os filmes.

Sem contar que Warren Beatty e Faye Dunaway erraram rude, erraram feio ao não questionarem o envelope na hora. Antes fosse eu, uma mera novata estar em frente de um público, me atrapalhar na hora do anúncio, mas a dupla tem uma longaa estrada para saberem lidar com estas situações. Os dois apresentaram a categoria de Melhor Filme em comemoração aos 50 anos de Bonnie & Clyde – Uma Rajada de Balas que é considerado um marco da Nova Hollywood, quebrando padrões no uso de sexo e violência no cinema. Seria emocionante ver a dupla entregar o Oscar máximo da noite a outro filme que também se mostrou uma nova forma de contar histórias incomuns. Mas infelizmente, toda esta confusão deixou a cerimônia com um gosto amargo, já que se encaminhava como uma das melhores edições sob apresentação de Jimmy Kimmel que acertou no tom, nas piadas e no carisma do show. Invalida uma noite que estava se tornando memorável pela ótima safra de filmes que concorriam, pela representatividade negra, que ainda caminha a passos lentos mas com muito mais força, e democracia de cada um ter seu espaço na cerimônia. Seja pela distribuição de prêmios ou pela liberdade de expressão em protestar politicamente. Todos que vieram comentar da premiação nesta segunda-feira comigo, abriram a conversa com a confusão que aconteceu no final do que pela premiação como um todo. Percebem o quão chato é isso?

89th Annual Academy Awards - Press Room

Apesar de algumas categorias serem previsíveis, sempre dá um frio na barriga na tamanha expectativa na entrega de cada prêmio. O quarteto vencedor de atuações é disparadamente o meu favorito da noite. Cada uma foi excelente e memorável em cada filme. Apenas Emma Stone poderia ter a surpresa de ver a colega Isabelle Huppert levar o Oscar de Melhor Atriz, que apesar de ser uma forte concorrente da jovem e ser a preferida de muitos, a Academia não ousaria tanto assim. Mas igualmente brilhante, Emma merecia o prêmio tão qual Isabelle. E a vitória dela só não me deixou mais feliz do que Viola Davis quando finalmente foi buscar o seu Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante pelo filme Um Limite Entre Nós. Mais uma vez entregando palavras que arrepiam e deixam a alma chorando, Viola mostra o quão apaixonada é pela profissão e dá gosto de ver isso. Agradeço todo dia por estar viva na mesma época que Viola Davis. Casey Affleck apenas confirmou o favoritismo com Oscar de Melhor Ator pela sua atuação pesada e dolorosa em Manchester À Beira-Mar. Até hoje me dói lembrá-lo neste filme. É justo o reconhecimento. Assim como de Mahershala Ali que iniciou a noite com Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por Moonlight – Sob A Luz Do Luar. Outro que faz jus ao prêmio e que consagra ainda mais o filme de Barry Jenkins.

O Oscar encerra esta temporada maravilhosa com filmes ricos e singulares. Não há uma história que se repita, não há uma história que não te instigue, não há um filme que não te provoque nada. São filmes que te levam para lugares mágicos como La La Land, te fazem chorar com Manchester, te apresentam uma outra realidade como em Moonlight, te tiram o chão com verdades reveladas como em Um Limite Entre Nós, te mostram o que é reconhecimento com Estrelas Além do Tempo, te injetam adrenalina com A Qualquer Custo, os que te surpreendem como Até Último Homem, te emocionam com histórias verídicas como de Lion – Uma Jornada Para Casa e os que lhe deixam pensativos durante dias como em A Chegada. Enfim, eu tenho muito o que comemorar com todas estas produções que acrescentaram demais na minha vida.

Confira a lista dos vencedores: 

Melhor Filme: Moonlight – Sob A Luz Do Luar
Melhor Diretor: Damien Chaelle – La La Land – Cantando Estações
Melhor Atriz: Emma Stone – La La Land – Cantando Estações
Melhor Ator: Casey Affleck – Manchester À Beira-Mar
Melhor Atriz Coadjuvante: Viola Davis – Um Limite Entre Nós
Melhor Ator Coadjuvante: Mahershala Ali – Moonlight – Sob A Luz do Luar
Melhor Roteiro Original: Manchester À Beira-Mar
Melhor Roteiro Adaptado: Moonlight – Sob A Luz do Luar
Melhor Fotografia: La La Land – Cantando Estações
Melhor Montagem: Até Último Homem
Melhor Design de Produção: La La Land – Cantando Estações
Melhor Figurino: Animais Fantástico e Onde Habitam
Melhor Cabelo e Maquiagem: Esquadrão Suicida (¬¬)
Melhor Trilha Sonora: La La Land – Cantando Estações
Melhor Canção Original: City Of Stars – La La Land – Cantando Estações ❤ 
Melhor Mixagem de Som: Até Último Homem
Melhor Edição de Som: A Chegada
Melhor Efeitos Especiais: Mogli – O Menino Lobo
Melhor Documentário: O.J.: Made In America ❤ 
Melhor Filme Estrangeiro: O Apartamento (Irã)
Melhor Animação: Zootopia – Essa Cidade É O Bicho
Melhor Curta de Animação: Piper – Descobrindo O Mundo
Melhor Curta-Metragem: Sing

2 comentários em “Somos todos #LaLaLand e #Moonlight

  1. Infelizmente o ocorrido meio que ofuscou muitas coisas bacanas que aconteceram na noite. Inclusive o discurso de uma produtora do filme que eu achei muito certo no tom, mas ninguém fala sobre. Não deu tempo de ver o elenco de Moonlight comemorando direito, foi bem desconfortável o clima que se instaurou ali. Uma torta de climão. Lamentável!

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    1. verdade. pra tu ver o quão ruim um mico deste acaba ofuscando uma festa tão legal e pessoas que tinham muito o que dizer. muito triste. tomara que isto aumente ainda mais a atenção de todos.

      Curtido por 1 pessoa

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