O melhor do tapete vermelho do #SAGAwards

Na noite desse domingo aconteceu a 23ª edição do Screen Actors Guild Awards, premiação do sindicato de atores de Hollywood que prestigiam seus colegas preferidos da temporada. Claro que nós, amantes de cerimônias cinematográficas, não deixamos de acompanhar os melhores da noite, tanto em cena quanto no tapete vermelho. Separamos as atrizes que mais se destacaram com seus looks divinos no #SAGAwards. Entre elas, estão as protagonistas do filme Estrelas Além do Tempo, Janelle Monae, Octavia Spencer e Taraji P. Henson que conquistaram o principal prêmio da noite de Melhor Elenco.

Taraji P. Henson
Taraji P. Henson veste Reem Acra
Janelle Monae
Janelle Monae veste Chanel
LOS ANGELES, CA - JANUARY 29: Actor Octavia Spencer attends the 23rd Annual Screen Actors Guild Awards at The Shrine Expo Hall on January 29, 2017 in Los Angeles, California. Alberto E. Rodriguez/Getty Images/AFP
Octavia Spencer veste Tadashi Shoji
Kirsten Dunst
Kirsten Dunst veste Christian Dior
Emma Stone
Emma Stone veste Alexander MCQueen
Gina Rodriguez
Gina Rodriguez veste PatBo (marca brasileira da estilista mineira Patricia Bonaldi)
Chrissy Teigen
Chrissy Teigen veste Dion Lee
Amy Adams
Amy Adams veste Brandon Maxwell
Kerry Washington
Kerry Washington veste Cavalli Couture
Viola Davis
Viola Davis veste Vivienne Westwood
Sofía Vergara
Sofía Vergara veste Zuhair Murad

Manchester à Beira-Mar ★★★★

mv5bmtyxmjk0ndg4ml5bml5banbnxkftztgwodcynja5ote-_v1_sy1000_cr006741000_al_Manchester By The Sea | Direção e Roteiro: Kenneth Lonergan | Elenco: Casey Affleck, Lucas Hedges, Michelle Williams, Kyle Chandler, Tate Donavan e Matthew Broderick | Nacionalidade: Estados Unidos | Gênero: Drama | Duração: 2h17min

Com o filme La La Land: Cantando Estações, é possível sonhar e viajar para um mundo incrível e apaixonante do mundo do cinema. Acredito que o cinema tenha este poder de trazer histórias cativantes, que te façam bem e te façam ter uma pontinha de esperança dentro do coração. Porém, o cinema também precisa nos trazer de volta deste mundo da fantasia e nos colocar no chão com relatos que nem sempre têm finais felizes. É o caso de Manchester À Beira-Mar que me destruiu de uma forma totalmente inesperada. Com um roteiro inteligente e por muitas vezes, surpreendente, o longa dirigido e escrito por Kenneth Lonergan trata da vida de Lee Chandler (Casey Affleck) que tem que retornar a cidade natal após a morte do seu irmão e cuidar do seu sobrinho Patrick (Lucas Hedges). Relutante a todo momento em ter que ficar por muito tempo naquele lugar, Lee terá que lidar com as vontades de Patrick e com os trágicos traumas do seu passado.

Manchester À Beira-Mar é um filme mega simples, mas que carrega uma atmosfera pesada desde do início até o seu encerramento. Seria muito fácil cair no melodrama com as situações que ocorrem durante a história, porém, com a direção de Lonergan, é possível encarar tudo isto com muita maturidade. Os detalhes que poderiam passar despercebidos são muito realísticos como o choro irritante de um bebê, os diálogos gritantes entre um casal no meio de uma multidão, as conversas constrangedoras na tentativa de um flerte e etc, que são coisas que só se tornam perceptíveis em momentos inoportunos. Detalhes que ajudam a preencher a narrativa que tem todo um cuidado ao nos revelar os segredos desta pequena família. Se no começo julgamos Lee Chandler como um cara preguiçoso e arrogante, tudo se revela uma soma de sentimentos retraídos dos quais ele não consegue se livrar. A forma como ele descarrega toda a sua tristeza são em brigas superficiais em bares ou despejando as suas sinceridades. Manchester desperta a curiosidade de entender do por quê Lee ter aquele comportamento. Tudo é revelado em flashbacks, sem aviso prévio, nos momentos de confronto com o seu possível futuro e tudo se torna ainda mais triste de acompanhar. E nossa, como dói ver tudo aquilo.

O filme possui uma sensibilidade natural de que não precisa apelar para o dramalhão familiar e tem força o bastante para assumir as fraquezas de seus personagens. Casey Affleck atua perfeitamente com a carga emocional que Lee Chandler leva diariamente. Uma das minhas cenas favoritas é quando senta com o sobrinho Patrick e finalmente desabafa sobre sua vida. É de uma entrega tão sincera que não há coração que aguente. Lucas Hedges ganhou o reconhecimento que merecia pela sua indicação ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante pelo papel em Manchester. O personagem é tão presente e interessante quanto seu tio em cena. Ao procurar várias maneiras de não se abalar o falecimento do pai, Patrick não demora muito para entender o significado da morte de alguém próximo até que se depara com o passado de Lee que ainda é tão presente. É um dos momentos mais emocionantes do filme e que aproxima esta família de dois.

Manchester à Beira-Mar é um relato sobre assumir que apesar de todo apoio que se possa receber, nem sempre o tempo será capaz de curar tudo. Por isso que o longa é um dos melhores da atual safra de dramas lançados nos cinemas. Um filme do qual não esperava tamanha profundidade em uma história direta como é esta de Kenneth Lonergan, que trata de uma dor insuperável que nem todos podem compreender, mas que merecem nossa atenção.

O.J.: Made In America ★★★★★

Direção: Ezra Edelman | Produção e Distribuição: ESPN Films | Gênero: Documentário | Nacionalidade: Estados Unidos | Duração: 7h47min

O.J.: Made In America é um documentário forte. Forte em seu tema, forte na sua execução e o resultado é uma porrada. A história do ex-jogador de futebol americano, Orental James Simpson, ou simplesmente O.J., sempre foi muito instigante para mim. Para quem não o conhece, ele foi um grande ídolo do esporte nos Estados Unidos, quebrou recordes nos gramados, era o líder do time e qualquer modalidade que disputava, O.J. sempre era o melhor. Depois de se aposentar, ele se tornou ator em Hollywood. Participou de filmes e até estrelou séries na televisão. Uma lenda aos olhos do povo norte-americano. Porém, o mito caiu quando se tornou o principal suspeito de cometer o duplo homicídio da ex-esposa, Nicole Brown Simpson, e do garçom Ronald Goldman. Todas as provas apontavam em uma única direção para o culpado e mesmo assim, Simpsou saiu inocentado de um julgamento que durou quase um ano e se tornou um circo midiático desastroso nos Estados Unidos. O longa dirigido por Ezra Eldman mostra como esta trajetória de vitórias e derrotas de O.J. caminharam lado a lado com a luta do fim do preconceito racial no país e como isso acabou inocentando o ex-atleta.

Com mais de sete horas de duração, O.J.: Made In America é dividido em cinco partes e cada uma relatando cada fase da ascenção e queda de Simpson. Primeiro somos seduzidos e completamente conquistados por aquele jovem atleta, de pele brilhante e um sorriso encantador que seria uma das apostas do time da Universidade da Carolina do Norte. Seu grande momento acontece quando tem a “famosa corrida”, em que dribla e foge de todos os adversários e marca o seu touchdown. O seu talento chamou atenção de equipes profissionais que não exitaram em levá-lo para a cidade grande, onde mesmo com algumas dificuldades, não demorou para que seu nome deslanchasse e virasse o favorito dos fãs de futebol. Em contraste com isso, nos anos 1960, muitos negros partiram de cidades do interior para as capitais, em especial, para a cidade de Los Angeles, na Califórnia, onde se falava da tamanha liberdade que o local proporcionava para qualquer cidadão. Porém, com o aumento da comunidade negra, muitos brancos começaram a se sentir ameaçados e incomodados com esta integração. Ataques e perseguições com os negros aumentavam diariamente e a polícia não economizava na violência. A partir daí, grupos de resistências e ativistas sociais começaram a surgir e protestar contra o preconceito racial. Com isso, muitos outros atletas negros começaram a apoiar várias causas na época, como boicotar as Olimpíadas de 1968 e quando podiam, se manifestavam utilizando gestos dos Panteras Negras em público. Ao contrário de O.J., que sempre manteve uma postura isolada quanto o que acontecia com os negros na época e preferiria se abster de comentar os fatos. Até porque, O.J. considerava seu nome muito maior do que a cor da sua pele. Em diversas vezes, ele comentava que “não era negro, mas sim O.J. Simpson”, o que fazia com que muitos comprassem esta mesma ideia.

O casamento com Nicole Brown Simpson apenas reforçava que O.J. estava cada vez mais jogando no time dos brancos do que dos negros e que, era exatamente isto que ele queria. Deixando para trás sua ex-esposa e dois filhos, Simpson finalmente estava incluso na alta sociedade de Hollywood e deslumbrado com a sua nova vida com esposa branca, amigos brancos e sua carta branca perante a todos. Nem mesmo as primeiras denúncias de violência doméstica que eram divulgadas, abalaram a reputação de O.J. No segundo episódio do documentário, o diretor atenta para este relacionamento conturbado entre o ex-jogador e Nicole, e finalmente somos apresentados a esta garçonete que tentava a sorte grande em Los Angeles e acabou esbarrando em O.J. Ouvimos áudios dos telefonemas de Nicole desesperada ligando para polícia, lemos seu diário em que prometia para si mesma que não voltaria para o ex-marido, assistimos depoimentos de amigos relatando como era a vida com o casal e a cada palavra solta durante o documentário, entendemos que se trata evidentemente de um feminicídio que poderia ter sido evitado. Enquanto isso, na zona pobre de Los Angeles, os negros presenciavam e sofriam mais ataques da polícia americana. São invasões em residências sem mandato, são agressões a um cidadão indefeso, são assassinatos a adolescentes desarmados, são prisões sem ter cometido crime algum. Enfim, são tamanhas injustiças que contrastam com a vida daquele ídolo que vivia em paz entre os brancos. Até então.

O julgamento do século nos Estados Unidos tomou conta de todas mídias, vidas, conversas, discussões, do comércio e em todo lugar em que caminhava, havia a famosa enquete: e aí, ele matou ou não matou? Enquanto que os brancos acusavam impiedosamente o ex-atleta, os negros defendiam sem pensar duas vezes. E assim não só iniciou esta divisão racial, mas um jogo decisivo que iria parar o país. E novamente, a bola estava nas mãos de O.J., que não poupou recursos para montar a melhor equipe para entrar em campo nesta nova “corrida pela sua vida”. Lá estavam John Shapiro, Robert Kardashian, F. Lee Bailey e Johnny Cochran na defesa, preparando toda a jogada para colocar O.J. no ataque e marcar mais um ponto. Contra o “Dream Team”, estavam Marcia Clark, Chris Darden e Gil Garcetti, que apesar de terem todas as provas evidentes contra o time adversário, a ganância e a pressa em prender a estrela do julgamento, acabou atrapalhando a promotoria. De acordo com o depoimento de uma das pessoas do júri, o que a levou a votar a favor de O.J. na hora do veredicto, foi a forma como Marcia e companhia apresentaram o caso. Mesmo com as provas ali, a equipe era muito inferior em comparação com as estratégias lideradas por Johnny Cochran, que sabia muito bem lidar com qualquer público. O papel de Cochran no julgamento foi de extrema importância, pois ter alguém do “povo” ao lado de uma estrela, ajudaria muito Simpson na absolvição. Cochran apelou de todas as formas possíveis para a cor da pele de O.J. e de como a sua comunidade havia sendo perseguida historicamente nos Estados Unidos, e este caso seria mais um nos arquivos da corte americana. E como a justiça da Califórnia havia inocentado tantos outros por terem espancado e matado negros, por que não fazer a mesma coisa com Simpson, para provar que não existe preconceito racial nos Estados Unidos? Pois foi assim que aconteceu. Como se fosse um jogo se encaminhando aos 49 do segundo tempo, quando foi anunciado que O.J. era inocente, a cidade inteira se dividiu entre os que lamentavam com o veredicto e os que comemoravam que um negro não iria preso naquela dia. Literalmente a cidade exalava esta mistura de sentimentos após mais uma corrida vencida por Orenthal James Simpson.

Entretanto, esta vitória custou todas anteriores conquistadas por O.J. Seus amigos, trabalhos, status e reputação foram totalmente perdidos. Ninguém mais quis se relacionar com este cara um tanto dúbio. O documentário mostra como Simpson era instável, manipulador e sedutor ao mesmo tempo, mas nunca o posicionando com uma pessoa má ou boa. Isto irá partir do próprio espectador que tem na sua mão, uma produção que pode ser considerada um exemplo de imparcialidade. Não há só o lado de Nicole Simpson sendo exposto, não é só Marcia Clark que relata o seu ponto de vista, não aparece só os lados positivos da carreira de O.J., mas há depoimentos de 99% dos envolvidos. Em Made In America, a principal proposta é analisar a vida de quem era considerado uma lenda viva para os americanos. O.J. era um cara que todos podiam se espelhar, se inspirar e se orgulhar. Ou se não era uma pessoa ligada aos esportes, já tinha assistido Simpson na televisão em algum filme, série ou simplesmente participando de algum show. Ele foi uma representatividade significativa e esperançosa para a comunidade negra que começou a se enxergar de forma positiva na mídia. Mesmo que O.J. tenha se afastado de suas origens, nunca lhe foi negado qualquer ajuda. Tanto que foi este fator que acabou o inocentando do duplo homicídio. Este se torna o segundo item que o documentário nos esclarece, de como a luta pelo fim do preconceito racial beneficiou o atleta no processo. Não se tratava de apenas prender um assassino, se tratava de uma vingança histórica em cima da justiça branca americana. Desta vez, eram os negros que finalmente viam um dos seus saindo ileso de um crime. Assim como ocorreu com os policiais que espancaram Rodney King e uma comerciante que atirou em uma adolescente pelas costas. Estes dois casos com imagens que perfeitamente denunciavam os envolvidos e mesmo assim não foram presos.

Para concluir, O.J.: Made In America possui vários elementos dignos de debates intermináveis. O diretor apresenta contextualização tanto da biografia de Simpson quanto da sociedade na época. Fatos importantíssimos para compreensão do filme e do episódio que levantou todo um país. Eldman também honra as questões raciais postas em tela sob uma narrativa muito envolvente com uma trilha climatizada num suspense básico, depoimentos chocantes e materiais inesperados. No embalo, a série American Crime Story: The People Vs. O.J. Simpson serve como um complemento ao documentário ao relatar os eventos a partir do duplo homicídio de Nicole e Ronald. Mesmo com quase oito horas de filme, você vai querer mergulhar mais e mais nesta tragédia americana.

Para quem quiser encarar esta maratona, o site da ESPN disponibilizou o documentário online.

La La Land – Cantando Estações ★★★★★

lalalandDireção e Roteiro: Damien Chazelle | Elenco: Emma Stone, Ryan Gosling, John Legend, J.K. Simmons, Rosemarie DeWitt, Callie Hernandez, Jessica Rothe e Finn Wittrock | Gênero: Musical | Nacionalidade: Estados Unidos | Duração: 2h08min

O gênero musical sempre será o meu preferido. Afinal, a vida não só fica melhor com música, mas como ela faz muito mais sentido quando entoada pela voz de alguém. La La Land – Cantando Estações explica o motivo de nós, fãs de musicais, sermos tão apaixonados pelo cinema. O longa do perfeccionista Damien Chazelle é mais do que uma homenagem a sétima arte, é uma renovação do gênero musical. La La Land consegue unir o clássico da época de ouro de Hollywood com uma nova forma narrativa de embalar histórias. Isso se deve principalmente ao fato da trilha sonora ser composta por sete canções com vocais, sendo o restante apenas instrumental.

La La Land começa energético. Com milhões de jovens artistas na cidade dos sonhadores encarando mais uma manhã ensolarada antes de irem para uma audição, um teste de elenco, uma reunião com agentes ou produtores. Afinal, estamos em Hollywood e todos estão atrás do seu grande momento. Assim como ocorre com Mia (Emma Stone) e Sebastian (Ryan Gosling), que são dois jovens que estão em Los Angeles em busca de seus sonhos: ela quer ser atriz, ele quer ser um grande músico de jazz. Seus caminhos se cruzam diversas vezes até que resolvem dar chance ao acaso. Porém, apesar de terem quase o mesmo objetivo, ambos desconhecem o mundo um do outro, e esta entrega ao parceiro será essencial para o sucesso de cada um.

O longa vencedor de sete Globos de Ouro surpreende de várias formas. Primeiramente, por não ser um musical entupido de canções narrativas, tornando o filme mais consistente, assim como o jazz apresentado pelo personagem de Ryan Gosling. Cada um vai fazer a sua interpretação com aquele som. Cada batida, ou cada cena do filme, vai nos levar numa viagem particular. Mas se o filme começa pulsante, ele vai diminuindo o ritmo conforme as desilusões vão ocorrendo na vida do casal. Já que estamos na cidade dos sonhos, infelizmente, nem todos vão se realizar. A partir deste momento até a cena final, mostra o amadurecimento que Chazelle tomou no roteiro, ao não deslumbrar tanto o espectador com o tradicional “felizes para sempre”, mas deixá-lo lacrimejando com o que poderia ter sido.

Boa parte dos suspiros, das risadas e da magia em La La Land acontece  por causa de Emma Stone e Ryan Gosling, que formam o casal mais carismático do cinema atualmente. A personagem de Emma é exatamente como sua persona: divertida, espontânea e firme. Convicta em suas decisões e filosofias, Mia segue fiel ao seu objetivo até o fim. Emma transforma a protagonista quase como um retrato seu de quando chegou em Hollywood e conseguiu o seu “close” certo. Assim como o obcecado professor de música em Whiplash: Em Busca da Perfeição, temos mais um fã de jazz. Sebastian honra o clássico, não quer deixar o jazz morrer e se tornar em um estilo esquecido pela nova geração. Ryan começa o filme em baixa, desacreditado, tentando acreditar naquilo que é a sua vida, mas se não consegue nem pagar as contas, como é que vai crer na música que deveria lhe inspirar para viver? O encontro destes dois reacende o sonho e a paixão que precisavam para seguir em frente.

La La Land tem todos detalhes para te fazer sonhar. O filme se sustenta pela magia que somente o cinema pode proporcionar. Apresentado no formato Cinemascope, o longa de Chazelle a todo momento traz referências cinematográficas como Gene Kelly, Ginger Rogers, Ingrid Bergman e Juventude Transviada, deixando La La Land quase como um culto aos ídolos do passado. E com todo o toque moderno que o diretor colocou em La La Land, fez com que os mais novos se permitissem a entrar nesta viagem e se transportassem para o seu lugar preferido do mundo. Eu, claro, já estava no meu.

La La Land e Meryl Streep: os donos do Globo de Ouro 2017

Ryan Gosling e Emma Stone protagonizam La La Land

O filme La La Land fez um arrastão nos prêmios da 74ª edição do Globo de Ouro realizado no hotel Beverly Hills, em Los Angeles, na noite deste domingo. O musical venceu nas 7 indicações que concorria na premiação: Melhor Trilha Sonora, Melhor Canção Original, Melhor Ator de Comédia/Musical, Melhor Roteiro, Melhor Direção, Melhor Atriz e Melhor Filme. A enxurrada de prêmios é um feito inédito na cerimônia, sendo o filme que mais ganhou na história do Globo de Ouro.

O segundo filme mais premiado da noite foi Elle, que levou Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro e prestigiou Isabelle Huppert como Melhor Atriz. O Melhor Filme Drama ficou para produção Moonlight.

Na televisão, a surpresa da noite foi com a vitória de The Crown por Melhor Série Drama, sendo a primeira vez que uma produção da Netflix ganha na categoria, e a protagonista da produção, Claire Foy, também levou para casa o Globo de Ouro de Melhor Atriz.

A abertura da cerimônia já indicava quem seria o principal vencedor da noite com o apresentador da cerimônia, Jimmy Fallon, soltando a voz ao lado das estrelas de Hollywood, em alusão ao musical La La Land e também com vários trocadilhos com os filmes indicados à premiação. Uma apresentação completamente apagada de Jimmy Fallon que se pronunciou apenas no início do evento e depois apareceu só para dar tchau.

O Globo de Ouro teve várias surpresas, começando pela valorização da representatividade negra na televisão, com Tracy Ellis Ross, filha da cantora Diana Ross, levando o troféu de Melhor Atriz de Comédia pela série Black-Ish e dedicando o momento às mulheres negras. “Esse prêmio é para todas as mulheres de cor, eu enxergo vocês”, disse a atriz. Em seguida, Atlanta levou os prêmios de Melhor Série de Comédia, confirmando que séries estreantes sempre levam o prêmio em seu primeiro ano de temporada, e de Melhor Ator para Donald Glover. Ao contrário do que se esperava, o sucesso de The People V. O.J. Simpson levou apenas os prêmios de Melhor Telefilme ou Minissérie e Melhor Atriz para Sarah Paulson.

Viola Davis ganhou mais um prêmio para sua coleção como Melhor Atriz Coajdjuvante pelo filme Fences, ao qual ela dedicou especialmente ao seu parceiro em cena, Denzel Washigton, que também dirige o filme. “Sou sua amiga e fã. Você é um grande ator e diretor. Não é todo dia que Hollywood pensa em traduzir uma peça para os cinemas. Isto é uma arte.”

Meryl Streep pede mais apoio à imprensa 

Este não foi o único momento de Viola Davis no palco. Para retribuir a homenagem que recebeu nessa semana na Calçada da Fama, Viola subiu no palco para falar da sua amiga, Meryl Streep, e lhe entregar o prêmio Cecil B. DeMille. “Você percebe que ela te enxerga, ela está te gravando, ela é uma observadora nata. É uma ladra! Ela transforma os personagens mais heroicos em humanos”, disse. “A sua arte nos leva ao impacto de ser artista. O seu impacto me fez continuar na profissão. Você me faz sentir que o que eu tenho em mim, no meu corpo, a minha idade, são suficientes”, declarou Viola antes de chamar a homenageada no palco.

Em um discurso engajado e emocionante, Meryl Streep fez duas críticas ao futuro presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao defender a imigração no país. A atriz apontou vários atores e atrizes que estavam na plateia e citando seus lugares de origem, e que se eles fossem embora, restaria apenas futebol e artes marciais para os americanos assistirem na televisão. “Quem somos nós? O que é Hollywood? É um privilégio e uma responsabilidade nós estarmos aqui. Todos nós devíamos nos orgulhar do nosso trabalho”, discursou Meryl, que em vários momentos se mostrou emocionada, relembrando um episódio envolvendo o presidente eleito Donald Trump que zombou de uma repórter deficiente em um comício em novembro de 2015.

“Isso quebrou meu coração e eu ainda não consigo tirar da minha cabeça, porque não era um filme. Era vida real. E esse instinto de humilhar, por alguém deslumbrado com a plataforma pública, por alguém poderoso, isso se infiltra na vida de todas as pessoas porque as dá permissão para fazer o mesmo. Desrespeito convida desrespeito. Violência gera violência. E quando alguém usa uma posição de poder pra fazer isso, todos nós saímos perdendo”, lamentou.

E encaminhando o discurso para o final, Meryl pediu mais união e apoio à imprensa estrangeira. “Vamos defender a liberdade da nossa constituição. Por isso, peço a comunidade de Hollywood que a apoie a imprensa, pois vamos precisar deles no futuro para nos proteger”, disse antes de encerrar o momento com um conselho dado pela sua colega e amiga Carrie Fisher: “Pegue seu coração partido e transforme em arte.”

Confira os vencedores do 74ª edição do Globo de Ouro:

CINEMA

Melhor Drama: Moonlight
Melhor Comédia/Musical: La la Land
Melhor Diretor: Damien Chazelle – La La Land
Melhor Ator em Drama: Casey Affleck – Manchester à Beira-Mar
Melhor Atriz em Drama: Isabelle Huppert – Elle
Melhor Ator em Comédia/Musical: Ryan Gosling – La La Land
Melhor Atriz em ComédiaMusical: Emma Stone – La La Land
Melhor Ator Coadjuvante: Aaron Taylor Johsnon – Animais Noturnos
Melhor Atriz Coadjuvante: Viola Davis – Fences
Melhor Filme em Língua Estrangeira: Elle
Melhor Animação: Zootopia
Melhor Roteiro: Damien Chazelle – La La Land
Melhor Canção Original: City of stars – La La Land
Melhor Trilha Sonora: La La Land

TV

Melhor Série de Drama: The Crown
Melhor Série de Comédia: Atlanta
Melhor Filme para TV ou Minissérie: The People v. O.J. Simpson: American Crime Story
Melhor Ator em Série de Drama: Billy Bob Thornton – Goliath
Melhor Atriz em Série de Drama: Claire Foy – The Crown
Melhor Ator em Série de Comédia: Donald Glover – Atlanta
Melhor Atriz em Série de Comédia: Tracee Ellis Ross – Black-ish
Melhor Ator em Filme para TV ou Minissérie: Tom Hiddleston – The Night Manager
Melhor Atriz em Filme para TV ou Minissérie: Sarah Paulson – The People v. O.J. Simpson: American Crime Story
Melhor Ator Coadjuvante: Hugh Laurie – The Night Manager
Melhor Atriz Coadjuvante: Olivia Colman – The Night Manager

Capitão Fantástico ★★★

captainfantasticposterCaptain Fantastic | Direção e Roteiro: Matt Ross | Elenco: Viggo Mortense, George MacKay, Annalise Basso, Samantha Isler, Shree Crooks, Nicholas Hamilton, Kathryn Hann, Frank Langella e Trin Miller | Gênero: Drama e Comédia | Nacionalidade: Estados Unidos| Duração: 1h58min

Se lembram daquela famosa frase vinda do filme O Clube da Luta: Quando perdemos tudo o que temos, é que realmente nos tornamos livres? Pois então, em O Capitão Fantástico, este é o principal objetivo desta família completamente livre de qualquer artifício como tecnologia, vícios ou gordura trans. O que importa são as ideias e opiniões de cada um. É esta a principal proposta do filme dirigido por Matt Ross que mistura os princípios ensinados nos livros com atitudes que vão definir a vida destes personagens únicos e inusitados.

Capitão Fantástico conta a história da família de Ben (Viggo Mortensen) que cria e educa seus filhos no meio do mato, totalmente isolados do resto da sociedade. Tudo vai indo bem até que a Leslie (Trin Miller), a matriarca, adoece e precisa de cuidados médicos, o que a leva de volta para o “lado mal” do mundo, onde é amparada pelos seus pais, que sempre detestaram este estilo alternativo de vida. Infelizmente, a morte de Leslie abala completamente ambos os lados. Tanto que o personagem de Frank (Frank Langella), pai da moça, ameaça Ben caso ele apareça no funeral. Praticamente proibindo de que o marido e filhos participem do funeral. Mas acha que isto vai impedi-los de se despedirem? É a faísca necessária para acender (ainda mais) a chama da união desta família em uma aventura na estrada.

O filme traz aqueles velhos aspectos de um típico road movie, mas que não deixa de ser original. É como se Capitão Fantástico fosse o filho de A Pequena Miss Sunshine e Na Natureza Selvagem, e ainda assim conseguir ter sua própria identidade. Claro, as circunstâncias ajudam, porém a questão familiar se mistura com os valores que lhe foram ensinados desde pequenos. E isto é o mais incrível deste filme. Quando a história inicia, somos apresentados a rotina de Ben e seus filhos que caçam sua própria comida, leem Karl Marx e Noham Chomsky, discutem literatura, praticam meditação e etc, e ficamos impressionados com tamanha educação e senso crítico que a família tem. Principalmente pelos mais novos que não se acanham de ouvir explicações diretas e honestas sobre a vida. Porém, quando eles são levados ao meio urbano, percebemos que nem tudo parece ser estas maravilhas, pois nem tudo que se exerce no isolamento, dá certo entre o “resto dos seres humanos”. Detalhes que Ben percebe e tem que abrir um pouco da sua filosofia de vida para dar o melhor para seus filhos.

Capitão Fantástico é daqueles filmes que você vai assistir e vai te dar aquela vontade de querer mudar vários aspectos na sua vida. Seja no modo como leva, como pensa ou até como age. O longa não tem a intuição de julgar ou criticar o modo como cada um vive, mas de “sacudir” e nos inspirar a deixar a nossa zona de conforto.