O melhor do tapete vermelho do Emmys 2016

Todos estávamos com saudade de um tapete vermelho, não é mesmo? E principalmente de uma premiação hollywoodiana. Na noite desse domingo, aconteceu o Emmy Awards, que premia os melhores atores, equipe e produções da televisão americana. E lá estiveram presentes várias atrizes e separei os looks mais lindos do evento. Continuar lendo “O melhor do tapete vermelho do Emmys 2016”

O Roubo da Taça

Direção: Caito Ortiz | Roteiro: Lusa Silvestre e Caito Ortiz | Elenco: Paulo Tiefenthaler, Taís Araújo, Danilo Grangheia, Milhem Cortaz, Stepan Nercessian, Fabio Marcoff, Mr. Catra, Leandro Firmino e Grace Passô | Gênero: Comédia | Nacionalidade: Brasil | Duração: 1h25min

Quando entrevistei o Rubens Ewald Filho na coletiva de lançamento do 44º Festival de Cinema de Gramado, ele comentou que uma das novidades que a curadoria quis trazer para a edição deste ano foi justamente a inclusão de mais filmes do gênero da comédia. Entre eles, estava O Roubo da Taça, uma comédia que teria tudo pra ser uma ficção, mas que inacreditavelmente não foi.

O Roubo da Taça reconta as aventuras de dois rapazes que, na esperança de arranjarem um dinheirinho para pagar as suas dívidas, roubam a taça Jules Rimet, conquistada na Copa do Mundo de 1970 pela Seleção Brasileira, da sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) no Rio de Janeiro. O roubo que aconteceu de forma tão surreal de tão fácil que foi, só poderia ficar melhor e pior no final das contas. Aquela taça era nada menos que a própria original exposta no local, enquanto que a réplica, estava guardada em um cofre. Agora você se pergunta: quem é que deixa isto acontecer? Só o brasileiro.

O filme dirigido por Caito Ortiz foi sem dúvidas, um dos melhores que assisti e que foi exibido no Festival de Cinema de Gramado 2016. Se a intenção era nos fazer rir, já que a vida anda tão pesada, conforme Rubinho me comentou na entrevista, o objetivo foi cumprido. O Roubo da Taça está longe de ser um pastelão sem profundidade. O longa retrata de uma maneira bem caricata a época que se passa a história e poderia até dizer que ele retoma a pegada da chanchada, uma característica das comédias nacionais dos anos 60, 70, por aí.  Não é por menos os prêmios de Melhor Direção de Arte e Melhor Fotografia no Festival, pela união dos elementos dos cenários, figurinos, cabelo e maquiagem com as luzes e a densidade que a fotografia pode nos proporcionar. O Roubo da Taça ainda saiu com as “taças” de Melhor Roteiro e Melhor Ator para Paulo Tiefenthaler.

O papel de Tiefenthaler, o protagonista Peralta, faz um grande jogo em cena. O personagem não poderia ser melhor retrato masculino: extremamente malandro e muito sortudo. Ele chega a ser caricato, mas apenas se integra a forma como o filme todo trabalha, sem pretensão alguma e se entregando ao deboche. Um dos grandes destaques do O Roubo da Taça é a presença de Taís Araújo, como a Dolores, namorada do trambiqueiro aí de cima. Ela é a representação da mulher gostosa nos filmes de comédias, cheio de testosterona, mas consegue ser acima disso. A atriz interpreta uma mulher forte e que não fica em casa esperando por Peralta, sabendo ser aquém do bando de macho que roubou a taça.

O Roubo da Taça é uma ótima comédia, inteligente e que surpreende a todo momento. A produção assinada pela Netflix, apenas deixa rolar as piadas com muito mais liberdade e criatividade durante o rolo. O conjunto de toda a obra é um ótimo exemplo de que o gênero cômico pode ser levada a sério no cinema. Uma ótima frase, que uma vez me disseram, poderia definir muito bem o longa. O Roubo da Taça é que nem o próprio homem carioca: a gente sabe que não presta, mas gente adora.

Aquarius

027984Direção e Roteiro: Kleber Mendonça Filho | Elenco: Sonia Braga, Bárbara Colen, Humberto Carrão, Irandhir Santos, Maeve Jinkings, Allan Souza Lima, Julia Bernat, Thaia Perez e Zoraide Coleto | Gênero: Drama e Suspense | Nacionalidade: Brasil e França | Duração: 140 minutos

Tudo que vocês ouviram, leram ou assistiram sobre Aquarius, nova obra prima de Kleber Mendonça Filho,  é verdade. E sim,  é uma obra prima, é um deleite desde o início da projeção. A presença, e o retorno, de Sonia Braga, às telas do cinema brasileiro, apenas torna o filme ainda maior. Que atriz! Que filme! Que resistência!

Clara (Sonia Braga) é uma jornalista aposentada, escritora e crítica musical que mora em um apartamento antigo no Recife, em Pernambuco,  onde criou seus filhos e possui extensas memórias de sua vida. Tudo ia muito bem, até que um jovem engenheiro, Diego Bom Fim (Humberto Carrão) chega e anuncia que pretende construir um novo empreendimento neste local. Todos os moradores do edifício Aquarius já venderam seus apartamentos, menos Clara que,  desde primeiro encontro com o empreiteiro, afirmou que não vai vender o seu espaço. A partir de daí,  a personagem começa a viver sobre constantes ameaças e assédios, inclusive da própria filha, para que saia de sua residência e aceite o dinheiro da construtora.

A nostalgia é um sentimento que persiste do início ao fim do filme. A narrativa parte de um grande evento, aqueles bem importantes familiares, que acabam se tornando inesquecíveis. E mesmo que não venha da personagem principal, ela compreende e tenta passar ao próximo a importância da história de cada um. Até em um simples aparador (e um sofá branco) pode guardar uma intensa história, mesmo que não anunciada. Clara, magnificamente interpretada por Sonia Braga,  é uma pessoa que coleciona vidas ao seu redor. Seja na música, em fotografias e principalmente, nas pessoas que estão próximas a ela. Tudo lhe deixa marcas. Não que seja apegada demais ao passado e aversa ao novo, mas Clara acrescenta coisas em sua vida, sem necessariamente descartar o que a trouxe até ali. Então se desperta a resistência de não querer que destruam não só a sua vida, mas de todos que ali viveram.

Devido a este conflito entre o novo (Diego) e o velho (Clara), aparecem diversas questões que pautam a nossa sociedade. A frase mágica que Clara dirige ao seu desafeto é a melhor forma de destacar uma das mensagens do filme. Após Diego exibir todo o seu currículo e afirmar que é um jovem com sangue nos olhos, ela rebate dizendo que o grande problema do Brasil não está na educação dada aos mais pobres, mas sim aos ricos, que entendem que o dinheiro pode e vai comprar qualquer centímetro neste mundo. E se Diego disse que vai atacar, mal esperava que Clara também adotasse a mesma estratégia. Sobrevivente de um câncer de mama, ainda jovem, Clara não deixaria este tumor crescer dentro de sua casa novamente.

Aquarius é daqueles filmes que te preenchem como um alimento sacia o mais esfomeado no final do dia. O filme está longe de ser uma história partidária, mas acrescenta tanto culturalmente que é uma aula de resistência (uma resistência política, talvez?). A simplicidade no modo como Clara vive é uma das grandes características da narrativa de Kleber Mendonça Filho. O diretor que adora destacar detalhes, sempre encontra um modo de evidenciar o invisível aos nossos olhos. Por exemplo, a cena do aniversário da empregada de Clara, logo ao lado de enormes prédios brilhantes, mostra o quanto novos “Diegos” já fizeram e pretendem fazer na capital pernambucana. Pois é assim: se você gosta, é vintage, se não gosta, é velho, e logo se tornando um objeto depreciativo e que precisa ser removido. O segundo ponto importante que merece atenção no filme é o capítulo 3: O Câncer de Clara, em que a protagonista descobre a peste que está crescendo sobre seu nariz (literalmente), para mais uma vez tentar derrubá-la.

O filme de Kleber é mais uma obra obrigatória no repertório de qualquer pessoa. Não só pela grande história que conta, mas principalmente pelo conjunto. Graças a antiga profissão de Clara, a seleção musical da trilha não poderia ser menos especial. Hoje, do cantor Taiguara, se torna o filme e vice-versa. Sonia Braga não poderia ter esperado tanto por este papel. Sua leveza, sua “clareza” e, especialmente, a sua força em se expressar na tela é apaixonante e muito inspiradora. É inegável que esta história é sua, as músicas são suas e principalmente, Aquarius é todo seu.