Esquadrão Suicida

114231Squad Suicide | Direção e roteiro: David Ayer | Elenco: Viola Davis, Margot Robbie, Will Smith, Jared Leto, Joel Kinnaman, Jai Courtney, Karen Fukuhara, Adewale Akinnuoye-Agbaje, Jay Hernandez e Cara Delevingne  | Gênero: Ação: | Nacionalidade: Estados Unidos | Duração: 2h10min

Desde que surgiu a ideia de Esquadrão Suicida, fui a maior defensora. Uma reunião de vilões que deveriam salvar o mundo, algo totalmente contrários as suas naturezas, parecia um argumento interessante e bem diferente do que estávamos acostumados no cinema. Depois do bem sucedido Os Vingadores e a promessa de A Liga da Justiça vindo logo aí, Esquadrão Suicida teria tudo a seu favor. O momento era bom, o elenco com nomes gigantes e o Coringa seria interpretado, desta vez, por um recente ganhador do Oscar, Jared Leto. Ele que desde que começou atuar, nunca me decepcionou. Bom, há sempre uma primeira vez pra tudo, né?

Esquadrão Suicida inicia do ponto em que Batman Vs Superman – A Origem da Justiça termina. O Governo dos Estados Unidos, temendo um novo ataque que ameace a civilização, coloca em prática uma arriscada missão criada por Amanda Waller (Viola Davis), em reunir os piores criminosos para acabar com com a perigosa entidade que Eles acabaram de soltar. E é nesta hora que começa as apresentações de: Pistoleiro (Will Smith), Arlequina (Margot Robbie), El Diablo (Jay Hernandez), Crocodilo (Adewale Akinnuoye-Agbaje) e Bumerangue (Jai Courtney). Claro que os que ganham mais destaques são o Pistoleiro e Arlequina, que exibem um histórico com letreiros e flashbacks, enquanto que os demais são apresentados rapidamente. E ainda tem a presença questionável do Coringa (Jared Leto), que assim como a filosofia de seu personagem, está sempre dois passos na frente de todo mundo. Entretanto, a sua participação acabou sendo apenas motivo para chacota do que utilidade na história toda.

Na verdade, o que devia ser um história sombria, acaba se tornando uma piada do início ao fim. O enredo é fraco e apela para o famoso melodrama, provando que até os “caras maus”, têm sentimentos. não apresenta nenhuma ação surpreendente ao longo da trama. A linha cronológica, apesar de seguir no presente, faz questão de voltar no tempo só para vida de Arlequina. Os diálogos são entediantes, principalmente com os comentários engraçadinhos que mal me fizeram esboçar um sorriso. A edição acelerada, com pressa de nos levar diretamente ao foco principal do filme, acaba sendo grotescamente bruta e nos deixando com fiapos de informações. Quando não  nos deixa absorver claramente o que está acontecendo. O segundo item que incomoda, absurdamente, é a trilha sonora. Do nada soltam The White Stripes, Kanye West, Queen, Black Sabbath em menos de meia hora de história. As músicas não se encaixam no contexto e muito menos impactam com o momento. Se era pra gastar com direitos autorais das canções, que contratassem um músico competente que soubesse compor a sonora do filme. A fotografia deixa muito a desejar também. Como assisti, infelizmente, em 3D, o filme era exageradamente escuro, o que influencia ainda mais a confusão que é o Esquadrão Suicida.

Bagunça por bagunça, o Coringa consegue ser a pior coisa feita neste filme. Se o personagem foi muito bem vendido por Jared Leto, a verdade é que foi uma propaganda enganosa durante o tempo todo. Tudo começa pelo visual. Estamos diante de um Mc Ostentação do que um verdadeiro vilão. A voz manipulada por efeitos sonoros não passa despercebida. Com Heath Ledger, em O Cavaleiro das Trevas, tínhamos uma entrega absoluta de corpo e alma, Jared praticamente comprou a versão mais barata em um camelô do que criou um personagem que mantém um legado importantíssimo não só nos cinemas, mas como nos quadrinhos. A risada característica do Coringa mal é sentida e não mete medo nenhum. Eu te amo, Jared Leto, mas não tem como te defender.

A pupila do Coringa, a Dra. Harleen Frances Quinzel, que se transformou na Arlequina após ser atingida pela manipulação do indivíduo, é um personagem que poderia ter sido melhor escrito. Margot Robbie dá conta do recado e ela seria maravilhosa, se Arlequina não fosse uma chata nos momentos em que insiste que é uma maluca que faz maluquices. E ser totalmente dependente do Coringa faz parte da história dela, isso não tem como evitar, e pelo menos isto, Esquadrão Suicida acertou em mostrar. “A sedução se torna rendição e a rendição dar poder”, e é o que acontece quando Arlequina se entrega ao Coringa, que apenas vê nela mais uma submissa aos seus interesses.

Will Smith é o mais humano entre o grupo de criminosos. Como é impossível de enxergar o ator, como um mau caráter por completo, Pistoleiro sempre é atingido pelo seu calcanhar de Aquiles, quando mencionam a sua filha. Logo, Will Smith repete mais uma vez a fórmula de Hancock e deixa o emocional falar mais alto pra sair ganhando. Viola Davis é Viola Davis. Infelizmente, nem ela consegue alavancar a história. Porém, uma coisa é certa, ela sempre será imortal. Cara Delevingne apenas empresta a sua imagem ao longa, pois é outra que também sucumbiu aos efeitos especiais para interpretar a personagem Magia. E o restante do Esquadrão Suicida é meramente figurante diante dos demais. Mais um adicional na soma de problemas que o filme carrega.

É difícil enxergar um ponto positivo do filme, que se preocupou muito mais em vender (e cortar) o produto do que criar um bom entretenimento. Os trailers, até então divulgados, se tornaram bem melhores do que o resultado final, onde a música Bohemian Rhapsody, do Queen realmente funciona. Mas infelizmente, além de propaganda enganosa, Esquadrão Suicida é um verdadeiro golpe nos cinemas.

7 comentários em “Esquadrão Suicida

  1. Concordo muito com o que você escreveu, o marketing feito em cima do filme, foi muito maior que o filme em si. Só pelas histórias que “aconteceram” nos bastidores e foi divulgada pela impressa eu esperava um Coringa empolgante, mas não foi bem isso que aconteceu. Como sempre, ótimo texto!

    Curtido por 1 pessoa

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