Cássia Eller

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Cássia Rejane Eller. Cássia Eller. Cássia. Uma poderosa força inquieta no palco, a timidez em pessoa fora dele. Um dos grandes nomes da música brasileira, Cássia Eller marcou a década de 1990 e chocou o país com sua morte precoce, em 2001. Um filme sobre a cantora, a mãe, a mulher que expôs sua vida pessoal e rompeu barreiras, deixando um belo legado social e artístico. Fonte: AdoroCinema

Quando criança, escutava rádio religiosamente todos os dias pois era o meu único meio de ouvir música. Muita fitinha k7 estão guardados com os meus remixes da infância. Conheci Cássia Eller quando tinha meus 9, 10 anos. O Acústico Mtv simplesmente tocava a todo instante em qualquer lugar. E até hoje me lembro de minha mãe cantando Malandragem pra mim e dizendo que esta letra tinha tudo a ver comigo: uma garotinha cansada esperando o ônibus da escola. Mal sabia ela que iria tomar muito pileque por aí (rs). Mas esta canção ficou guardada por causa desta mulher que cantava com toda sua ousadia naquela inesquecível voz que gritava poesia na melodia do rock, MPB, samba e o que estivesse a fim.

O documentário de Paulo Henrique Fontenelle nos conta a marcante vida de Cássia de um jeito que poucos conseguem fazer: nos deixar com a sensação de que ela fazia parte da nossa vida. Logo após de assistir, cada cena, cada fase de Cássia continuava na minha mente e me deixava com uma saudade de algo que realmente não vivi fisicamente. Porém, ao relembrar a trajetória da cantora através de depoimentos de amigos e familiares, me fez mergulhar tão intensamente naquelas imagens de arquivos pessoais, dos shows e de bastidores, que me deixou com vontade de voltar no tempo e querer viver cada momento ao lado desta mulher maravilhosa que era Cássia Eller.

O que me fez gostar muito deste filme é o fato de não nos ocultar nada e nem jogar pra debaixo do tapete, as loucuras e o jeitinho Cássia de ser. Ela se drogava? Sim. Tinha um relacionamento aberto com sua companheira? Sim. Sonhava ser mãe como toda mulher? Sim. E tudo isso é contada de forma tão natural que deixa Cássia muito humana e tão próxima da gente. Em nenhum momento há aquele julgamento ou tenta nos induzir a apontar as coisas que ela fazia e dizer que foi ali que errou. Não! Ela era tão moleque e tão mulher que não tem como não se apaixonar. A sua evidente timidez que explodia em cima dos palcos mostra como a cantora era um furacão que conseguia agrupar vários sentimentos, vontades e ideias, e transforma-la na sua arte: a música. Ali é que a verdadeira Cássia nascia, vivia e morria de amores. Vê-la cantar é possível compreender e sentir tudo o que ela tinha pra expressar. E vai te fazer querer cantar junto e levantar a camiseta.

E não é apenas uma produção que segue no molde repetitivo de fotos, depoimentos e vídeos caseiros. A narrativa tem muita música que casa com a história contada, as cartelas com os jornais de forma animada anuncia o que está por vir, a voz de Cássia em off quando suas fotos, na sua maioria de seu rosto, rola pela tela mostra o seu crescimento, e sem contar a bela introdução com Mallu Mader recitando cartas de Cássia. Os depoimentos de cantores como Nando Reis e Zélia Duncan, que eram tão próximos, nos deixam tão emocionados por mostrarem tamanho amor que existia na amizade entre eles. E é isso que você sente a todo minuto no filme, muito amor que Cássia recebia e dava para quem estivesse ao seu redor. Chega a ser contagiante a energia disso para quem assiste.

No final das contas, o mais aplaudível neste documentário é o fato de não deixar a morte da cantora ser o mais  importante que o conjunto todo. Fontenelle diz brevemente o que houve, a verdadeira causa da morte que foi resultado de um infarto miocárdio e não de uma overdose, como tanto gostam de destacar. Mas o diretor faz questão de finalizar o documentário de forma feliz ao mostrar a vitória de Maria Eugênia (companheira de Cássia) na disputa judicial pela guarda de Chicão, filho da cantora. Foi a primeira vez na justiça brasileira que isto acontecia e nem existia lei para tal feito na época. E ah, Chicão também aparece no final se mostrando praticamente uma réplica, principalmente nos gestos idênticos de sua mãe. E é assim que termina esta maravilhosa homenagem em forma de filme, nos deixando ainda mais saudosos por esta garotinha chamada Cássia Eller.

Direção e Roteiro: Paulo Henrique Fontenelle
Depoimentos: Maria Eugênia, Nando Reis, Zélia Duncan, Oswaldo Montenegro
Gênero: Documentário
Nacionalidade: Brasil

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