O Abutre

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Enfrentando dificuldades para conseguir um emprego formal, o jovem Louis Bloom decide entrar no agitado submundo do jornalismo criminal independente de Los Angeles. A fórmula é correr atrás de crimes e acidentes chocantes, registrar tudo e vender a história para veículos interessados. Fonte: AdoroCinema

Normalmente mudanças no visual de algum ator/atriz em algum filme chamam muito mais atenção do que o filme em si. O que não deixa de ser verdade, pois exemplos como A Dama de Ferro, de que a história só vale a pena pela interpretação, e Monster – Desejo Assassino quando o pacote é dado por completo. Em O Abutre quase se encaixa nesse segundo quesito.

Lou Bloom (Jake Gyllenhaal) é um cara solitário, aleatório e sem qualquer propósito na vida. Não sabemos da onde vem (talvez para onde vai), seus vínculos familiares, de amizade. Apenas sabemos que seu meio de sustento é roubando sem qualquer escrúpulo, até que um dia se depara com uma filmagem na rua de um acidente. A adrenalina de perseguir tragédias e ganhar dinheiro com isso faz com que o rapaz finalmente tenha achado a sua vocação. Sem inibição alguma, Lou (♥ xarás ) se dedica a cada detalhe, inclusive montando seu portfólio com as matérias da televisão que usam as suas imagens. Lendo, até parece que tudo acontece de forma saudável e normal, mas a verdade é que o novo cinegrafista cria uma obsessão pelo trabalho e principalmente pelas tragédias, chegando até manipular algumas.

2015-04-07 13.04.09

O Abutre não chega a ser um suspense, mas deixa aquele clima de tensão a todo instante em que o personagem de Jake é colocado ou sob pressão ou com aquela vontade desenfreada de conseguir algo muito bom para mostrar no telejornal sensacionalista para qual vende suas imagens. O nome em português cai como uma luva na personalidade de Lou, que não enxerga fronteiras para o seu próximo caso. Ele é praticamente que nem o próprio pássaro predador que gosta de se alimentar de carniças, do resto que sobra da morte dos outros e tendo um sensor aguçado para o próximo”crime” que ainda não aconteceu. E ao contrário do andam dizendo por aí, ele não é um jornalista, apenas um oportuno que viu a sua galinha de ovos de ouro com o sofrimento dos outros.

Jake Gyllenhaal nos entrega literalmente uma interpretação digna de qualquer prêmio, ouso dizer até que foi uma injustiça da Academia, não ter lhe dado mais atenção com este trabalho em O Abutre. O ator emagreceu 10 quilos e o seu olhar sempre intacto mostra a fome que ele tem sobre o sangue dos outros, esquecendo qualquer principio sobre a dor e o respeito às vítimas. O modo como fala, sempre de um jeito dissimuladamente tranquilo e com uma resposta sempre na ponta da língua, você acaba sendo hipnotizada pela sua maneira. Filmes assim são ótimos para apresentar as multi facetas que um ator pode proporcionar. Jake chega a nos passar um pouco de medo, pois até então, você não imagina qual vai ser seu próximo passo. Pode até dizer que o rapaz age de forma ingenuamente, mas com muitas más (?) intenções por de baixo das mangas. E Jake consegue nos manipular do jeito certo.

A esperteza de encaminhar o material para uma emissora pequena e de baixa audiência é a arma de Lou para chantagear e conseguir o que quer, pois sabe que aquele canal precisa mais dele do que ele precisa deles (ui). Mas o que Lou quer, no final das contas? Fama? Sucesso? Reconhecimento profissional? No final das contas é de tudo um pouco, mas ele até que acaba de forma humilde conseguindo o que realmente queria: que a Video News (sua produtora) crescesse e fosse bem sucedida. O final acaba de modo conflitante para vos que escreve. Mesmo que o filme nos oriente de que Lou não seja assim TÃO mau-caráter (ele apenas quer se dar bem) mas quando age de forma perversa com o seu colega, acaba saindo impune de seus atos tão facilmente que acaba ficando muito incrédulo de como o seu julgamento passou tão batido quanto a primeira vez que é abordado pelos detetives. Tudo bem que a vida talvez seja assim aqui do lado de fora, mas O Abutre acaba dando este furo não muito exemplar na sua história.

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