Especial: A Cor Púrpura (1985)

Se você achava que ser mulher no passado era difícil, imagine ser uma mulher negra, pobre e segundo o próprio Sinhô (Danny Glover) de A Cor Púrpura, feia no final do século 19? Pois então, não havia chance alguma para elas nessa época onde o racismo e a discriminação sexual era algo tão natural quanto respirar. Mas aqui temos duas mulheres negras lindíssimas e mais forte que todos os homens do mundo: Celie (Whoppi Goldberg) e Nettie (Akosua Busia).

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Celie foi abusada sexualmente pelo pai quando criança e teve seus filhos arrancados de seus braços logo após o nascimento. Desde então ela nunca mais soube do paradeiro deles. Apesar da infância traumática, sua única fonte de amor vinha de sua irmã, Nettie. Esta que sempre foi muito esperta, até ia para a escola, infelizmente teve que fugir de casa quando percebeu que era a próxima vítima de seu pai. Já nessa parte da história, Celie já tinha sido entregue ao Sinhô como esposa e escrava da casa e acolheu sua irmã durante o tempo que deu, até o momento que também despertou o interesse desse canalha. Nettie, novamente, tem que fugir das garras do Sinhô e promete que nada, nem ninguém neste mundo irá lhe separar de Celie e promete lhe escrever todos os dias enquanto estiver viva. E isso foi apenas o início de uma baita história.

A Cor Púrpura é recheado de grandes interpretações femininas. Começando com Whoppi Goldberg bem novinha e quietinha, diferente do que você está acostumado. Sua Celie sofre de cabeça baixa com todas as agressões verbais e físicas vindas de todos os homens que passam pela sua vida. A força que a faz levantar da cama todos os dias vem da esperança de que sua irmã possa voltar a qualquer momento. Esta miserável vida é salva quando chegam duas mulheres completamente opostas de sua personalidade: Sofia (a estreante Oprah Winfrey) e Shug Avery (Margareth Avery). A personagem de Oprah é uma desbocada que não aceita voz alta de macho nenhum. A justificativa de ter fogo quente correndo nas veias é que desde pequena teve que se defender de seus irmãos e assim continuou até mesmo quando aceita se casar com o frangote filho do Sinhô. Ela muito ensina a pobre Celie que mulher nenhuma deve ser escrava de seu marido e assim o prova indo embora de casa quando Harpo (seu esposo) lhe falta com o respeito. Shug Avery é uma deliciosa cantora de blues que enlouquece todos os homens, principalmente Sinhô, seu amante. A principio Shug não gosta de Celie por ciúmes, mas logo viram melhores amigas. A cantora também complementa a vida de Celie lhe ensinado e mostrando o que é o amor, novamente, e lembrando-a que é uma mulher linda. Elevando a autoestima daquela que até então não sabia o que era receber um carinho de alguém.

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O mais lindo de A Cor Púrpura é que todas as mulheres que passaram pela vida de Celie, de alguma forma, a ajudaram a criar o seu caráter e lhe deram tudo o que lhe foi tirado quando criança: amor, carinho, respeito e amizade do próximo. Mesmo sob constantes ordens do Sinhô, teve uma hora que ela não ia aguentar mais toda aquela tortura e foi só mexer com o seu ponto fraco para ela virar o jogo: as cartas de sua irmã. Ao saber que Nettie ainda está viva, Celie agora tem uma verdadeira razão pra mostrar que tem voz, argumentando contra seu carrasco marido: “Olha só pra você. É negra, é pobre, é feia, é mulher. Você não é nada!”. Mas Celie é alguém. Ela é uma mulher forte, que aguentou todas as humilhações possíveis de seu Sinhô, pois sabia no fundo do seu coração, que não podia desistir. E graças a sua batalha, ela conseguiu sua redenção.

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