Selma – Uma Luta Pela Igualdade

488332Cinebiografia do pastor protestante e ativista social Martin Luther King, Jr, que acompanha as históricas marchas realizadas por ele e manifestantes pacifistas em 1965, entre a cidade de Selma, no interior do Alabama, até a capital do estado, Montgomery, em busca de direitos eleitorais iguais para a comunidade afro-americana. Fonte: AdoroCinema

Selma foi injustamente ofuscado pelas demais cinebiografias que também estão em destaque no Oscar atualmente. O por quê? Eu não sei responder pois todos perdem ao deixar de lado um filme tão essencial como este. Martin Luther King Jr. foi um ícone, um mito, um verdadeiro marco na história dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos. Enquanto a violência, seja verbal ou física, era a atitude dos brancos ao ver um afrodescendente nas ruas, Martin abaixava a cabeça e respondia superiormente não retribuindo a ofensa. Sua arma era a paz, pois sabia que agressões só gerariam mais agressões e não era isso que Deus queria. Ele sempre foi devoto ao seu líder espiritual e assim continuou até o seu último dia.

selma3Este é uma daquelas produções em que o protagonista domina o filme inteiro. David Oyelowo não tem nada de semelhança física com o famoso pastor, mas certamente tem a mesma alma cheia de ideiais para levar a mensagem de King adiante. Quando ele entra em cena, é como se estivéssemos em frente de um cara realmente superior, mas que em nenhum momento tira proveito disso. Ao contrário, continua se colocando na mesma linha que os outros. Ele nunca foi melhor do que ninguém, mas eu particularmente acredito que ele é sim. Uma das cenas que realmente me deixou hipnotizada é a final, quando faz o seu último discurso do filme. Ouvimos a sua voz emocionadíssimo, mas firme, sem deixar cair o tom, enquanto acompanhamos algumas imagens de arquivo passando aos dos personagens presentes até chegarmos ao seu palanque na frente da Casa Branca e comemora a sua pequena vitória. Sim, pequena pois ele mesmo sabia que ainda tinha muito mais pra ser conquistado. E a música Glory sendo tocada logo após este fechamento transforma em uma verdadeira cerimônia este momento.

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Selma não chega a ser uma biografia óbvia. Acredito que nem o chamaria assim, pois retrata apenas um certo período e não vai até os últimos dias de King. Ela é como seu protagonista:  é passiva e apenas nos agride com as tamanhas barbaridades que temos que ouvir do Governador George Wallace interpretado muito bem por Tim Roth. A capacidade de se tornar um cara preconceituoso e debochado é algo para poucos. Quem também faz a sua parte é Tom Wilkinson sendo o Presidente Lyndon B. Johnson e que está longe de ser o cara que lava suas mãos em relação ao racismo e dizer que fez a sua parte. Mas isso são mais termos políticos do que cinematográficos. E isso é outro detalhe importantíssimo do longa. Ele é 99% do tempo político, pouco se importando com o que rola dentro da casa de Martin, que tem muito que se cuidar. Selma Movie (1)Afinal de contas, não tem que lutar apenas nas ruas, mas em casa é sempre importante deixar a bandeira branca levantada. E ali vemos, que não somente na vida pública Martin Luther King é um cara paciente e respira fundo em meio a um conflito. A história é cuidadosa ao sempre mostrar King sereno e nunca corrompendo ou contrastando a sua imagem. E mesmo sendo um vencedor do Prêmio Nobel, ele nunca deixou de ser uma ameaça para o FBI que o monitorava em cada passo de suas caminhadas e isso é bem claro quando as legendas nos incitam, com seus ruídos de máquinas de escrever e fontes courier, que estamos de olho nesse cara arruaceiro. desnecessariamente vamos combinar.

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Fazendo aquela clássica mistura de imagens de reportagens com as de ficção, o filme de Ava DuVernay apenas fica mais tocante ao relembrar as pessoas que lá estiveram atrás de seus direitos. Evidencia o absurdo do preconceito que os negros sofriam, como a introdução em que a minha lindíssima inspiração do jornalismo Oprah Winfrey passa pela humilhação de ter o seu direito de votar negado por um birrento mal-humorado e a chocante explosão dentro de uma igreja com quatro crianças dentro, onde o motivo ignorantemente para isso tudo se chama apenas ódio. São fatos assim, que Selma chegou para nos deixar informados de que Martin Luther King Jr. esteve aqui realizando o princípio de seu sonho e que nós devemos continuar a realizá-lo.

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