Maratona Oscar 2019: Parte 1

Yalitza Aparicio “brincando” de morta em Roma

Estou de volta! Desta vez vou comentar sobre os últimos filmes que assisti e que estão indicados ao Oscar 2019. A minha maratona Oscar encerrou mais cedo este ano, pelo menos na categoria de Melhor Filme, e por isso vou resumir os principais destaques destes longas e de outros indicados na ordem de preferência. Começando com os meus preferidos:

Roma ★★★★

Roma, filme dirigido por Alfonso Cuarón, é pura poesia filmada onde Cleo (Yalitza Aparicio), uma empregada doméstica, ganha protagonismo em meio a sua solidão. Com planos longos e totalmente em preto e branco, o longa mistura simplicidade e ousadia por causa da sua fotografia que equilibra o clima nesta história que consegue despertar empatia ao tratar os sentimentos de uma mulher pobre, sozinha e confusa com muita sensibilidade, o que raramente acontece para personagens do gênero.

Eu gosto muito de Roma por causa deste espaço dedicado a uma mulher que vive para servir aos outros e nunca a si mesma, onde ela enfrenta silenciosamente momentos comuns, mas que ninguém se importa de perguntar “quer conversar?”, onde ela tem que se preocupar com a roupa das crianças da patroa enquanto enfrenta a maternidade, e que por mais que a vida se repita, ela vai continuar nesta batalha por conta própria. O que nos leva para uma das cenas que resume o filme todo quando a patroa de Cleo, Sofia (Marina de Tavira), desabafa: “Estamos sozinhas. Digam o que quiserem, mas nós, mulheres, estaremos sempre sozinhas”.

Roma mexeu muito comigo pois me remete a muitas histórias que minha mãe me contava quando trabalhava na “casa dos outros” na sua adolescência e aí tu percebe o quanto estas histórias são universais, o quanto personagens da ficção conseguem dialogar com o mundo real e nos exibir o que só ouvimos da boca dos outros. É tudo uma questão de interpretação, do olhar que você dá para aquela pessoa que por mais despercebida, carrega o mundo dentro de si e não tem com que dividir. Roma está indicado a 10 categorias no Oscar, incluindo Melhor Direção e Filme.

Cafarnaum ★★★★★

Zain Al Rafeea assume papel difícil, mas entrega realidade pura

Dirigido por Nadine Labaki, uma das duas únicas mulheres diretoras com um longa indicado ao Oscar, Cafarnaum explora a realidade de uma forma tão triste, caótica e cruel que se torna difícil seguir em frente depois da sessão. O longa mostra o pequeno Zain (Zain Al Rafeea) sobrevivendo em meio a brigas com os pais, aos diversos trabalhos que assume para sustentar a família e a pobreza que o enquadra. Sua única fonte de alívio em meio as dificuldades é a sua relação com a irmã que, infelizmente, é forçada a se casar com apenas 11 anos. Isto é o ápice para que Zain se revolte e saia de casa. Mas isto tampouco ajuda a melhorar a sua vida.

O filme é excelente, apesar do seu recheio ser tão avassalador, que faz você abrir os olhos sobre a miséria que existe em todo lugar do mundo. Ou melhor, sobre a miséria humana que existe em cada canto. O jovem ator Zain carrega literalmente o filme nas costas e faz isso de forma tão grandiosa que assim como seu personagem, você fica impactado com tanta maturidade para uma criança. O mesmo digo para o companheiro em cena de Zain, o bebê Yonas (Boluwatife Treasure Bankole), que trabalha numa naturalidade que só deixa o filme ainda mais emocionante.

É só tragédia atrás de tragédia, mas Cafarnaum não vem com intuito de entreter e nem trazer finais felizes para uma história que acontece em todos os cantos do mundo. Cafarnaum é um filme que dói, mas é urgente para mostrar os nossos privilégios, para nos tirar das bolhas e principalmente, para nos ensinar a parar de julgar aqueles que infelizmente não possuem escolhas na vida. Cafarnaum está indicado somente em Melhor Filme Estrangeiro, mas facilmente poderia estar entre os principais, como Melhor Ator para Zain Al Rafeea que dá um banho de atuação em comparação aos demais indicados deste ano.

Pantera Negra ★★★★★

Chadwick Boseman interpreta o primeiro super-herói negro nos cinemas

Pantera Negra é um filme que dispensa maiores apresentações. Dono de todas as bilheterias do ano passado, o filme dirigido por Ryan Coogler veio para fazer história no Cinema. Além de trazer o primeiro super-herói negro às telas, o longa também trouxe uma riqueza em termos de narrativa, referências da cultura africana e mudou os rumos nas tradicionais batalhas entre mocinho e vilão.

Aqui não existe “cara mal” que quer roubar o trono, ser rico e se vingar de uma vida sofrida. O papel do antagonista Killmonger, interpretado brilhantemente por Michael B. Jordan, traz motivações pessoais que são resultados de ações sociais e até políticas que o personagem sofreu ao longo da sua existência. A figura de T’Challa (Chadwick Boseman) representa exatamente o que ele luta contra e quer virar o jogo, fazer a sua justiça. Isso já torna o filme de uma complexidade que só engrandece o enredo.

E não só por isso. Pantera Negra ganha diversos pontos por dar um lugar digno para suas personagens femininas. Perceba a autoridade que Lupita Nyong’o, Danai Gurira, Letitia Writh e Angela Bassett atuam em cena e disputam de igual para igual com o restante do elenco. Outra conquista que somente um super-herói como Pantera Negra poderia conceder aos fãs sedentos por representatividade. Pantera Negra está indicado a seis prêmios no Oscar, entre eles, Melhor Filme.

Homem-Aranha no Aranhaverso ★★★

Homem-Aranha não para de se reproduzir e de avançar com a inclusão nos cinemas

Eu sou uma pessoa totalmente alheia ao universo dos quadrinhos e super-heróis, mas me surpreendi com a tamanha diversidade que Homem-Aranha consegue oferecer em suas dimensões. Foi o caso deste Homem-Aranha No Aranhaverso que foi uma boa experiência, digamos até alucinógena. Se um filme, em suas condições normais, consegue deixar os olhos secos com tantos efeitos especiais, esta animação dirigida por Peter Ramsey, Bob Persichetti e Rodney Rothman dá um verdadeiro giro com tudo que tem em mãos.

O filme é outro avanço que Marvel deu nos cinemas, não só pela criatividade e brincadeiras que o roteiro entrega, mas novamente, com a representatividade. O protagonista desta vez fica encarregado com um adolescente negro que precisa crescer diante de desafios e segredos que descobre ao longo da jornada, o que inclui a desilusão com parentes queridos e com os grandes poderes que adquire que vão além dos super-poderes aracnídeos.

A animação dá um gás diferenciado no gênero de super-heróis no cinema e trabalha para que nada seja gratuito. É uma história sobre amadurecimento e responsabilidades que somente os nossos ídolos, sejam eles quem forem, podem nos ensinar. Homem-Aranha no Aranhaverso concorre em Melhor Animação.

Anúncios

Finalmente satisfeita com o SAG Awards 2019

Elenco de Pantera Negra recebendo o principal prêmio da noite

É tão bom quando você vai dormir depois de ter assistido uma premiação que fugiu do comum e soube valorizar os demais talentos de Hollywood. Foi assim o meu sentimento com a 25° edição do Screen Actors Guild (SAG) nesse domingo que acertou no tom ao colocar a atriz Megan Mullally como anfitriã, teve um tempo ágil de cerimônia e onde quase fez jus aos premiados da noite. Digo quase pois a distribuição de estatuetas ainda continua viciada. Mas vamos falar de coisa boa.

Pantera Negra teve o reconhecimento que estava demorando a receber com o prêmio de Melhor Elenco de Filme. A produção da Marvel quebrou todas as expectativas e elevou o seu patamar histórico ao ser o primeiro filme de super-herói indicado aos principais prêmios do cinema (que não os técnicos) e também por exaltar a identidade e cultura negra, o que só comprova a necessidade da sua representatividade no meio artístico popular.

Pantera Negra não se isola apenas no protagonista e abre toda a história para os demais personagens. Inclusive ao seu antagonista, vivido brilhantemente por Michael B. Jordan, que tem uma das melhores cenas e frases do filme. Logo, nada mais justo do que premiar um longa que não só possui uma qualidade de dramaticidade riquíssima, como os responsáveis pela a sua execução.

Em seu discurso, o ator Chadwick Boseman disse exatamente o que o filme representa. “Todos nós aqui sabemos que não há lugar na indústria sendo jovem, talentoso e negro. Nós sabemos como é não ter um roteiro que nos aceite.  Como é estar abaixo, não acima. E fomos trabalhar todos os dias pensando nisso. E nós não fizemos por um bilhão de dólares e prêmios, mas porque tínhamos algo especial para dar ao mundo. Um filme onde éramos personagens completos. Criamos um mundo que exemplifica o mundo que queremos ver.”

Emily Blunt foi outra boa surpresa da noite ao levar o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante por Um Lugar Silencioso, outro filme com proposta mais popular que teve seu êxito. Já os demais premiados repetiram-se como Mahershala Ali, Glenn Close e Rami Malek em suas respectivas categorias do cinema.

Responsável por trazer Freddie Mercury de volta ao nosso imaginário, Malek parece se consagrar ainda mais na temporada por este papel em Bohemian Rhapsody. Não duvidando do talento do ator, mas estas recorrentes premiações exemplificam o quanto uma caracterização e cinebiografias resultam em um caminho mais fácil para levar uma estatueta. Já Green Book – O Guia e A Esposa também são filmes típicos em que os atores indicados saem vencedores, então nenhuma surpresa visto que saíram premiados no último Globo de Ouro e no Critics’ Choice Awards.

Confira os premiados do SAG Awards: 

CINEMA

Melhor Elenco: Pantera Negra
Melhor Atriz: Glenn Close (A Esposa)
Melhor Ator: Rami Malek (Bohemian Rhapsody)
Melhor Atriz Coadjuvante: Emily Blunt (Um Lugar Silencioso)
Melhor Ator Coadjuvante: Mahershala Ali (Green Book – O Guia)
Melhor Elenco – Dublês em Ação: Pantera Negra

TELEVISÃO

Melhor Elenco Drama: This Is Us
Melhor Elenco Comédia: The Marvelous Mrs. Maisel
Melhor Atriz Drama: Sandra Oh (Killing Eve)
Melhor Ator Drama: Jason Bateman (Ozark)
Melhor Atriz Comédia: Rachel Brosnahan (The Marvelous Mrs. Maisel)
Melhor Ator Comédia: Tony Shalhoub (The Marvelous Mrs. Maisel)
Melhor Atriz Minissérie: Patricia Arquette (Escape at Dannemora)
Melhor Ator Minissérie: Darren Criss (The Assassination of Gianni Versace: American Crime Story)
Melhor Elenco de Dublês – Comédia ou Drama: GLOW

Creed II supera antecessor e cria o seu próprio legado

Michael B. Jordan domina Creed II

Estrelado por Michael B.Jordan e Sylvester Stallone, Creed II estreia nesta quinta-feira nos cinemas aproveitando mais uma história da antiga franquia Rocky Balboa. Desta vez, Adonis Creed (Jordan) segue sua trajetória rumo ao campeonato mundial de boxe, contra toda a desconfiança que acompanha a sombra de seu pai Apollo Creed (Calr Weathers) e com o apoio de Rocky (Stallone).

A próxima luta não será tão simples. Adonis precisa enfrentar Viktor Drago (Florian Munteanu), filho de Ivan (Dolph Lundgren), o responsável pela morte de Apollo. O desafio significa muito mais para a família Drago que quer reconquistar o prestígio perdido no passado quando Ivan foi derrotado por Rocky. Contudo, a história se torna uma jornada de autodescobertas para ambas as partes.

Dirigido por Steven Caple Jr., Creed II não parece ser mais um filme sobre boxe e suas superações físicas. O longa possui uma dramaticidade atípica dentro da saga Rocky que envolve emocionalmente e cede espaço para que todos os personagens principais possam ter o seu momento de fala e ter as suas motivações esclarecidas. Inclusive, o diretor não pinta Ivan e Viktor como os russos assustadores, apesar da forma física, mas humaniza os sentimentos sofridos por pai e filho.

Stallone, Jordan e Thompson são perfeitos juntos em cena

Assim como Adonis mantém os pés no chão e reconhece os seus erros, e como Rocky nunca se sobressai a mais que os seus companheiros em cena. Bianca (Emma Thompson), noiva do jovem lutador, é o equilíbrio perfeito e não se acomoda no papel normalmente designados às mulheres neste gênero e tem as suas conquistas dentro do filme.

Creed II consegue superar Creed: Nascido Para Matar especialmente pela sua essência e qualidade cinematográfica. Algo totalmente inesperado para uma sequência. A narrativa foge da obviedade de vinganças pessoais e caminha para o autoconhecimento, o que deixa o filme refinado e saudável, de certa forma.

Eu gosto muito quando o protagonista passa por uma jornada do qual ele sai completamente diferente da forma como entrou. E não somente ele. Os demais personagens também concluem as suas lutas particulares. O que se aplica muito ao filme em si. Creed criou identidade suficiente para não precisar de mais ganchos e golpes do passado para construir o seu futuro.

Nota: ★★★★

 

A Favorita é decadente e deliciosa

Abigail (Emma) faz de tudo para ingressar na corte inglesa da Rainha Ana (Olivia)

A Favorita esbanja riqueza do início até o fim como se isso fosse, de fato, algo para se orgulhar. No entanto, o filme tem muita hipocrisia, mentiras e manipulação em seu recheio que constroem exatamente esta realeza da corte inglesa da Rainha Anne (Olivia Colman) no século XVIII. Esta que deve ser a mais ingênua na trama que ainda envolve a Duquesa de Marlborough, Sarah Churchill (Rachel Weisz), e a sua prima pobre, Abigail Masham (Emma Stone).

O filme do grego Yorgos Lanthimos é excepcional na sua execução que contém toda a sua assinatura como diretor. Para quem já assistiu O Lagosta (2015) e O Sacrifício do Cervo Sagrado (2017) sabe que o diretor gosta de conduzir a sua história com estranhamentos e a linha segue em A Favorita, onde não há nenhuma glamorização e bons modos tão costumeiros em filmes históricos.

O filme tende a exaltar a sua decadência seja no ambiente ou na própria alma do personagem, o que dá uma visão mais realística do contexto. A direção de arte escura e fria, criada por Caroline Barclay, Sarah Bick, Lynne Huitson e Dominic Roberts, expõe um local contaminado pelo egoísmo, assim como a direção de fotografia de Robbie Ryan que nos posiciona sempre distantes dos protagonistas ou em referências a eles. Outra característica essencial de Lanthimos é a sua trilha sonora que mescla com o incômodo e o suspense, o que proporciona ainda mais a ansiedade do que está por vir na história.

Rachel Weisz é minha favorita em cena

O trio formado por Olivia Colman, Rachel Weisz e Emma Stone é de uma soberania invejável. Olivia Colman conduz uma Rainha Anne carente, insegura e alienada, e isso é perfeitamente reproduzido pela atriz que já ganhou Globo de Ouro e o Critics’ Choice Awards por esta performance, além da indicação ao Oscar.

Já Rachel Weisz, a minha preferida do filme, traduz, inicialmente, uma Sarah manipuladora a fim de se aproveitar da sua condição dentro dos bastidores da corte. Mas não. A personagem se revela uma fiel parceira política, amiga e amante da Rainha Ana. Emma Stone chega sorrateiramente e tem uma transformação maligna com a sua Abigail. A atriz tem a seu favor uma expressão facial capaz de reproduzir exatamente o que a narrativa precisa e isso é fantástico.

A Favorita é o puro retrato da decadência de uma burguesia fajuta e maliciosa. O diretor consegue trabalhar em cima desta narrativa sem máscaras quando há um interesse em jogo, sem fantasias de um final feliz e com a inteligência de três mulheres ambiciosas A Favorita é deliciosamente decadente.

Nota: ★★★★

A bagunça do Critics’ Choice Awards 2019

Filme de Alfonso Cuarón foi o grande vencedor da noite

O Critics’ Choice Awards deu uma balançada na lista de premiados em comparação ao Globo de Ouro. Roma foi o grande vencedor da noite com quatro prêmios: Melhor Filme, Melhor Filme Estrangeiro, Melhor Direção e Melhor Fotografia. O longa do mexicano Alfonso Cuarón tem conquistado muitos elogios e fico feliz que uma produção latina tenha tido este reconhecimento dentro de uma cerimônia predominantemente americana.

O improvável da noite, no entanto, foram as categorias que tiveram empate. Como assim vocês resolveram premiar duas pessoas justo este ano? Começando pela televisão onde Amy Adams (Objetos Cortantes) e Patricia Arquette (Escape From Dannemora) levaram o prêmio de Melhor Atriz em Minissérie/Telefilme. Amy não se acanhou e fez o discurso da sua vida no palco. Já considerada a nova “Leonardo DiCaprio” por tantas indicações e raras as consagrações, a atriz finalmente teve seu talento reconhecido. Uma pena que teve que ser divido com outra pessoa.

Já bagunça mesmo aconteceu no cinema com o empate na categoria Melhor Atriz para Glenn Close (A Esposa) e Lady Gaga (Nasce Uma Estrela). Nem vou repetir o que acho da refilmagem do musical, mas esta premiação dupla é desmerecedor para as duas. Parece que os votantes quiseram premiar Glenn por ser a escolha certa, mas também optaram premiar a cantora por sua popularidade com o filme, por serem fãs dela ou por pena mesmo. Enfim…

O Critics’ Choice repetiu a maioria dos ganhadores do Globo de Ouro nas demais categorias. Uma pena que novamente Pantera Negra e Infiltrado na Klan não tenham tido o sucesso que, de fato, merecem. Pantera Negra, no entanto, foi premiado nas categorias técnicas: Melhor Design de Produção, Figurino e Efeitos Visuais. E o filme poderia facilmente ter levado o prêmio de Melhor Elenco sendo que há ótimos nomes e um grupo de personagens consideravelmente mais relevantes do que A Favorita, que foi a vencedora desta categoria.

Confira todos os premiados do Critics’ Choice Awards:

CINEMA

Melhor Filme: Roma
Melhor Diretor: Alfonso Cuarón – Roma
Melhor Ator: Christian Bale – Vice
Melhor Atriz: Glenn Close – A Esposa / Lady Gaga – Nasce uma Estrela
Melhor Ator Coadjuvante: Mahershala Ali – Green Book – O Guia
Melhor Atriz Coadjuvante: Regina King – Se a Rua Beale Falasse
Melhor Talento Jovem: Elsie Fisher – Eighth Grade
Melhor Elenco: A Favorita
Melhor Roteiro Original: First Reformed
Melhor Roteiro Adaptado: Se a Rua Beale Falasse
Melhor Fotografia: Roma
Melhor Design de Produção: Pantera Negra
Melhor Montagem: O Primeiro Homem
Melhor Figurino: Pantera Negra
Melhor Cabelo e Maquiagem: Vice
Melhores Efeitos Visuais: Pantera Negra
Melhor Animação: Homem-Aranha no Aranhaverso
Melhor Filme de Ação: Missão Impossível: Efeito Fallout
Melhor Comédia: Podres de Ricos
Melhor Ator em Filme Comédia: Christian Bale – Vice
Melhor Atriz em Filme de Comédia: Olivia Colman – A Favorita
Melhor Filme de Terror ou Ficção Científica: Um Lugar Silencioso
Melhor Filme de Língua Estrangeira: Roma
Melhor Canção: “Shallow” – Nasce uma Estrela
Melhor Trilha Sonora: O Primeiro Homem

TELEVISÃO

Melhor Drama: The Americans
Melhor Ator em Série Drama: Matthew Rhys – The Americans
Melhor Atriz em Série Drama: Sandra Oh – Killing Eve
Melhor Ator Coadjuvante em Série Drama: Noah Emmerich – The Americans
Melhor Atriz Coadjuvante em Série Drama: Thandie Newton – Westworld
Melhor Série de Comédia: The Marvelous Mrs. Maisel
Melhor Ator em Série de Comédia: Bill Hader – Barry
Melhor Atriz em Série de Comédia: Rachel Brosnahan – The Marvelous Mrs. Maisel
Melhor Ator Coadjuvante em Série de Comédia: Henry Winkler – Barry
Melhor Atriz Coadjuvante em Série de Comédia: Alex Borstein – The Marvelous Mrs. Maisel
Melhor Minissérie: The Assassination of Gianni Versace: American Crime Story
Melhor Telefilme: Jesus Christ Superstar Live in Concert
Melhor Ator em Minissérie: Darren Criss – The Assassination of Gianni Versace: American Crime Story
Melhor Atriz em Minissérie/Telefilme: Amy Adams – Sharp Objects / Patricia Arquette – Escape at Dannemora
Melhor Ator Coadjuvante em Minissérie/Telefilme: Ben Whishaw – A Very English Scandal
Melhor Atriz Coadjuvante em Minissérie/Telefilme: Patricia Clarkson – Sharp Objects
Melhor Série Animada: BoJack Horseman

Vale a pena assistir Bird Box?

Sandra Bullock é Malorie em Bird Box

Bird Box é o típico filme que divide o público: uns amam e outros odeiam. Eu, com certeza, não me encaixo no grupo que detestou o longa dirigido por Susanne Bier e produzido pela Netflix. Porém, tenho algumas ressalvas. Não vou começar por elas pois é preciso reconhecer os pontos positivos.

Começando pela boa atuação de Sandra Bullock, que apesar de ser prejudicada a muitos procedimentos estéticos faciais, ainda consegue imprimir uma personagem comovente. Atravessamos esta jornada através de Malorie, uma artista plástica fria e sensível, que junta-se a diversos estranhos em uma casa após uma versão do apocalipse atingir misteriosamente a cidade onde mora e muitas pessoas morrerem em decorrência deste fenômeno. Além de Sandra, ainda temos Sarah Paulson por alguns minutos em cena e é o bastante para ser memorável. Rainha faz assim, né? A cena do acidente do carro, no exato momento que a confusão começa, é sensacional.

Sarah Paulson arrasa nos poucos minutos em cena

Bird Box tem uma história interessante e lembra constantemente a essência de Um Lugar Silencioso. É importante destacar que ambos os filmes não se copiam, mas caminham juntos. É legal comparar os meios de sobrevivências de cada história. Vai que um dia a gente precise destas orientações (aloca). Entretanto, o longa está recheado de erros de continuidades escancarados. Como a cena do apito na floresta, o lenço no rosto de uma das crianças que volta e meia está fora do lugar e assim vai. Eu entendo que são acidentes e que não atrapalham a narrativas, mas tira a concentração uma vez que estamos mergulhados dentro da ficção.

Bird Box pode ter uma premissa instigante por causa do suspense em torno desta onda suicida, os zumbis que os cercam e como lidar com este ambiente. Porém, o filme não parece ter um objetivo. É frustrante acompanhar uma jornada perigosa, e bastante existencial, e não produzir nenhuma reflexão crítica ao que a personagem viveu. A decepção fica pela falta de criatividade em uma enredo que tinha tudo para seguir apostando no escuro e não em milagres quadrados.

Nota: ★★★

Chocada com os premiados do Globo de Ouro 2019

Glenn Close inspirou todas nós com o seu discurso

O Globo de Ouro 2019 realmente surpreendeu na noite desse domingo. Para quem achava que Bohemian Rhapsody estava só passeando na premiação ficou chocado com a consagração do filme de Bryan Singer com o prêmio de Melhor Filme Drama. Rami Malek era a minha única aposta para a cinebiografia devido a sua ótima performance como Freddie Mercury, mas não há explicação para que Bohemian Rhapsody tenha superado obras como Infiltrado na Klan e Pantera Negra. Globo de Ouro perdeu de fazer história com estas duas preciosidade injustiçadas da festa.

Porém, eu fiquei extremamente aliviada que Nasce Uma Estrela ganhou justamente aquilo que merecia na premiação: Melhor Canção Original por Shallow. A trilha sonora do longa é apaixonante. Tudo o que o filme de Bradley Cooper não é. Infelizmente. Lady Gaga foi consagrada exatamente no que é boa, porque no cinema ela ainda vai ter que batalhar muito para de fato merecer uma estatueta. Por isso, o Globo de Ouro deu um presente lindo para Glenn Close com prêmio de Melhor Atriz Drama por A Esposa. Nem a atriz acreditou quando ouviu o seu nome sendo anunciado e ela ainda fez um discurso inspirador que fez valer a pena ficar acordada até tarde.

“Penso em minha mãe, que foi submissa ao meu pai a vida toda. Aos 80 anos, ela me disse, ‘sinto que não conquistei nada’. Isso não estava certo. Esperam que nós mulheres tenhamos filhos e nos casemos, tenhamos algum parceiro. Mas temos que encontrar nossas realizações. Temos que realizar nossas vidas. Seguir nossos sonhos. Nós temos que dizer: eu sou capaz disso e tenho o direito de fazer isso. Quando eu era pequena eu me sentia como Muhammed Ali, que estava destinado a ser um boxeador. Eu sabia que estava destinada a ser uma atriz. Em setembro, irei completar 45 anos de carreira e não posso imaginar uma vida mais maravilhosa”, disse a atriz de 71 anos. Maravilhosa, né?

Das minhas apostas para o Globo de Ouro, eu acertei apenas em quatro categorias: Série Drama (The Americans), Ator Comédia/Musical (Christian Bale), Ator Drama (Rami Malek) e Atriz Série Comédia (Rachel Brosnahan). Green Book: O Guia, Bohemian Rhapsody, Roma, Gleen Close, Regina King, Christian Bale e Rami Malek saíram na frente na corrida dos prêmios do cinema americano. No próximo domingo acontece o Critic’s Choice Awards e já estou na espera para ver quem mais vai sair premiadíssimo da cerimônia.

Confira os premiados do Globo de Ouro 2019:

CINEMA

Melhor Filme Drama: Bohemian Rhapsody
Melhor Filme Comédia/Musical: Green Book – O Guia
Melhor Direção: Alfonso Cuarón (Roma)
Melhor Ator Drama: Rami Malek (Bohemian Rhapsody)
Melhor Atriz Drama: Glenn Close (A Esposa)
Melhor Ator Comédia/Musical: Christian Bale (Vice)
Melhor Atriz Comédia/Musical: Olivia Colman (A Favorita)
Melhor Ator Coadjuvante: Mahershala Ali (Green Book – O Guia)
Melhor Atriz Coadjuvante: Regina King (Se a Rua Beale Falasse)
Melhor Roteiro: Green Book – O Guia
Melhor Animação: Homem-Aranha no Aranhaverso
Melhor Filme Estrangeiro: Roma (Mèxico)
Melhor Trilha Sonora: O Primeiro Homem
Melhor Canção Original: Shallow (Nasce uma Estrela)

SÉRIES

Melhor Série Drama: The Americans
Melhor Série Comédia: O Método Kominsky
Melhor Ator Drama: Richard Madden (Segurança em Jogo)
Melhor Atriz Drama: Sandra Oh (Killing Eve)
Melhor Ator Comédia: Michael Douglas (O Método Kominsky)
Melhor Atriz Comédia: Rachel Brosnahan (The Marvelous Mrs. Maisel)
Melhor Ator Coadjuvante Série/Telefilme: Ben Whishaw (A Very English Scandal)
Melhor Atriz Coadjuvante Série/Telefilme: Patricia Clarkson (Sharp Objects)
Melhor Telefilme/Série limitada: The Assassination of Gianni Versace: American Crime Story
Melhor Ator Telefilme/Série limitada: Darren Criss (The Assassination of Gianni Versace: American Crime Story)
Melhor Atriz Telefilme/Série limitada: Patricia Arquette (Escape at Dannemora)

Prêmio Cecil B. DeMille: Jeff Bridges
Prêmio Carol Burnett: Carol Burnett