Oscar 2020 tem Brasil entre os indicados, mas nenhuma mulher finalista em Melhor Direção

Petra Costa dirige de forma pessoal Democracia em Vertigem. Foto: Diego Bresani

A representatividade segue como um sonho ainda muito distante no Oscar. Na apresentação dos indicados da 92ª edição, que ocorre no dia 9 de fevereiro, a atriz Issa Rae chamou a atenção na categoria de Melhor Direção que não teve nenhuma mulher indicada. “Parabéns aos homens”, disse Issa na hora do anunciar Martin Scorsese, Quentin Tarantino, Todd Phillips, Bong Joon Ho e Sam Mendes como os finalistas da categoria.

E não foi por falta de opção. Greta Gerwig teve Adoráveis Mulheres indicado a Melhor Filme e em outras cincos categorias, mas foi esquecida em Melhor Direção, apesar de seu desempenho ter sido elogiado. Ela também conquistou prêmios como o do National Society Of Filmes Crititcs, uma das mais importantes associações de críticos dos Estados Unidos, por Melhor Direção.

Outros filmes dirigidos por mulheres da temporada passaram despercebidos como Harriet, de Kasi Lemmons, The Farewell, de Lulu Wang, Retrato de uma Jovem em Chamas, de Céline Sciamma, e As Golpistas, de Lorene Scafaria.

Documentários

A brasileira Petra Costa é a única mulher que dirige sozinha um documentário indicado ao Oscar com o Democracia em Vertigem.

Os demais indicados trazem mulheres dividindo a direção com homens, como ocorre em Honeyland (Tamara Kotevska e Ljubomir Stefanov), For Sama (Waad al-Kateab e Edward Watts) e American Factory (Julia Reichert e Steven Bognar).

Curtas

Nas categorias de curtas do Oscar, aparecem apenas dois documentários dirigidos por mulheres – Learning to Skateboard in a Warzone (If You’re a Girl), de Carol Dysinger, e Walk Run Cha-Cha, de Laura Nix – e três animações feito por quatro diretoras – Sister, de Siqi Song, Kitbull, de Rosana Sullivan e Kathryn Hendrickson e Daughter, de Daria Kascheeva.

Academia indica apenas um atriz negra

Além disso, somente uma atriz negra foi indicada entre as principais categorias. Cynhtia Erivo foi indicada a Melhor Atriz por sua performance em Harriet. Uma das expectativas era Lupita Nyong’o estar entre as finalistas por sua atuação no suspense Nós, assim como o longa de Jordan Peele aparecer em alguma das demais indicações.

Nenhum homem negro foi indicado em outra categoria principal. Eddie Murphy e o longa Meu Nome é Dolemite foi lembrado nas demais premiações americanas, como o Globo de Ouro e o Critic’s Choice Awards, mas não entrou na lista final do Oscar.

Coringa lidera indicações

Além de Petra Costa, o diretor brasileiro Fernando Meirelles também teve seu longa Dois Papas indicado em três categorias: Roteiro Adaptado, Melhor Ator e Ator Coadjuvante com Jonathan Pryce e Anthony Hopkins, respectivamente.

Coringa recebeu o maior número de indicações, com 11, seguido por O Irlandês, 1917 e Era Uma Vez em… Hollywood, que somam 10. O sul-coreano Parasita recebeu seis indicações, confirmando ainda mais o sucesso do filme na temporada de premiações.

O longa já levou, este ano, os prêmios de Melhor Filme Estrangeiro no Globo de Ouro e Critic’s Choice Awards, além da Palma de Ouro no Festival de Cannes 2019.

A 92ª edição do Oscar ocorre no dia 9 de fevereiro.

Confira a lista completa

MELHOR FILME
O Irlandês
Era uma Vez… em Hollywood
Parasita
1917
Jojo Rabbit
História de um Casamento
Adoráveis Mulheres
Coringa
Ford vs Ferrari

MELHOR DIRETOR
Martin Scorsese – O Irlandês
Quentin Tarantino – Era uma Vez… em Hollywood
Todd Phillips – Coringa
Bong Joon Ho – Parasita
Sam Mendes – 1917

MELHOR ATRIZ
Cynthia Erivo – Harriet
Renée Zellweger – Judy
Saior Ronan – Adoráveis Mulheres
Scarlett Johansson – História de um Casamento
Charlize Theron – O Escândalo

MELHOR ATOR
Joaquin Phoenix – Coringa
Adam Driver – História de um Casamento
Antonio Banderas – Dor e Glória
Leonardo DiCaprio – Era Uma Vez em… Hollywood
Jonathan Pryce – Dois Papas

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Laura Dern – História de um Casamento
Margot Robbie – O Escândalo
Scarlett Johansson – Jojo Rabbit
Florence Pugh – Adoráveis Mulheres
Kathy Bates – O Caso de Richard Jewell

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Joe Pesci – O Irlandês
Brad Pitt – Era uma Vez… em Hollywood
Al Pacino – O Irlandês
Tom Hanks – Um Lindo Dia na Vizinhança
Anthony Hopkins – Dois Papas

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
O Irlandês
Adoráveis Mulheres
Jojo Rabbit
Dois Papas
Coringa

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Era uma Vez… em Hollywood
Parasita
História de um Casamento
Entre Facas e Segredos
1917

MELHOR FILME INTERNACIONAL
Corpus Christi (Polônia)
Honeyland (Rússia)
Parasita (Coreia do Sul)
Dor e Glória (Espanha)
Les Misérables (França)

MELHOR ANIMAÇÃO
Como Treinar o Seu Dragão 3
Toy Story 4
Link Perdido
Perdi Meu Corpo
Klaus

MELHOR DOCUMENTÁRIO
American Factory
The Cave
Democracia em Vertigem
For Sama
Honeyland

MELHOR FOTOGRAFIA
1917
Era uma Vez… em Hollywood
O Irlandês
O Farol
Coringa

MELHOR EDIÇÃO
O Irlandês
Ford vs Ferrari
Jojo Rabbit
Parasita
Coringa

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO
O Irlandês
Era uma Vez… em Hollywood
1917
Parasita
Jojo Rabbit

MELHOR FIGURINO
Era uma Vez… em Hollywood
Adoráveis Mulheres
O Irlandês
Jojo Rabbit
Coringa

MELHOR TRILHA SONORA
Coringa
1917
Adoráveis Mulheres
História de um Casamento
Star Wars: A Ascensão Skywalker

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
I Can’t Let You Throw Yourself Away, de Toy Story 4
I’m Gonna Love Me Again, de Rocketman
Stand Up, de Harriet
Into the Unknown”, de Frozen 2
I’m Standing With You”, de Superação: O Milagre da Fé

MELHOR SOM
Ad Astra
Ford vs Ferrari
Coringa
1917
Era uma Vez… em Hollywood

MELHOR EDIÇÃO DE SOM
1917
Ford vs Ferrari
Coringa
Era Uma Vez em Hollywood
Star Wars: A Ascensão Skywalker

MELHOR MAQUIAGEM E CABELO
O Escândalo
Judy
Coringa
1917
Malévola 2

MELHOR EFEITOS VISUAIS
Vingadores: Ultimato
O Irlandês
O Rei Leão
Star Wars: A Ascensão Skywalker
1917

MELHOR CURTA ANIMAÇÃO
Dcera (Daughter)
Hair Love
Kitbull
Memorable
Sister

MELHOR CURTA LIVE ACTION
Brotherhood
Nefta Football Clube
The Neighbors’ Window
Saria
A Sister

MELHOR CURTA DOCUMENTÁRIO
In The Absence
Learning to Skateboard
Life Overtakes Me
St. Louis Superman
Walk Run Cha-Cha

Greta Gerwig renova o romantismo no cinema em Adoráveis Mulheres

Elenco reúne um super time de atrizes da nova geração

Adoráveis Mulheres comprova que só uma mulher é capaz de entender a história de outra. Ou melhor dizendo, de pelos menos umas cinco, como é o caso deste filme de Greta Gerwig. A diretora, que vem despontando em filmes que abordam o universo feminino, agora chega com a refilmagem de um clássico do cinema e da literatura.

Com seu nome sendo reconhecido entre os grandes de Hollywood, Greta reuniu um elenco prestigiado com nomes como de Meryl Streep e Laura Dern, e outras estrelas em ascensão como são os casos de Saiorse Ronan e Timothé Chamalet. A dupla repete a parceria já vista em Lady Bird – A Hora de Voar nesta nova versão baseada no livro de Louisa May Alcott. 

O que poderia soar brega e até repetitivo, nas mãos de Greta tornou-se uma encantadora história de união feminina, empatia e superação. O longa carrega o ar romântico típico do gênero, com casarões, vestidos volumosos, bailes e costumes conservadores. É quando chega Jo March (Saiorse) para ir contra todas estas tradições. A personalidade da jovem intelectual é o grande charme do filme por ser o principal elo entre as personagens e por proporcionar reflexões sobre o papel da mulher.

Adoráveis Mulheres tem a inteligência de ser fiel ao que se propõe, como se manter dentro dos elementos do gênero, mas se renova por abrir espaço para que cada uma das personagens tenha os seus questionamentos. Greta tem o cuidado de distinguir cada uma das irmãs, em seus pensamentos e atitudes, e mostra como estas diferenças são complementares. O recurso do flashback utilizado para narrar a história funciona perfeitamente por contrastar uma época feliz de Jo March ao período sombrio em que a família vive no presente. O que nos faz entender, claramente, quando a protagonista diz que sente saudade de tudo.

Saiorse é um amor nesta refilmagem

Saoirse Ronan é responsável por guiar o enredo e faz isso muito bem com o entusiasmo de Jo March, que é sensível, sonhadora e independente. O restante do elenco segue o mesmo nível de qualidade dirigida por Greta. Meryl Streep faz algo que só ela sabe fazer: equilibrar dois humores em uma pessoa só e mesmo assim sair graciosa. Assim como Laura Dern que repete uma mãe carinhosa e generosa, como já vimos em Livre, e emociona em todo o enredo. Emma Watson, Florence Pugh e Eliza Scanlen completam o time das irmãs March, que igualmente preenchem a tela com boas atuações.

Timothée Chalamet e Louis Garrel são sedutores em seus papéis. Enquanto o primeiro é um rebelde milionário e compartilha da sua riqueza com a família March, além de ser um eterno apaixonado por Jo, o segundo chega para ser o guia necessário na vida da protagonista. Adoráveis Mulheres se torna um filme agradável por renovar o romantismo no cinema e não subestimar a força e a inteligência feminina.

O filme Adoráveis Mulheres foi indicado ao Sindicato dos Produtors e Greta conquistou o prêmio de direção da National Society Of Filmes Crititcs, uma das mais importantes associações de críticos dos Estados Unidos.

• Texto escrito originalmente para o site do Correio do Povo

Confira o trailer

História de um Casamento. Nem sei o que dizer…

Scarlett e Adam em suas melhores atuações

História de um Casamento chega para entrar no hall de filmes que são referências sobre fim de relacionamentos. Assim como já vimos em Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças, Closer – Perto Demais, Alabama Monroe e Namorados Para Sempre, só para citar alguns. O diretor Noah Baumbach traz aqui um novo olhar sobre o final de uma relação e até digo que com um toque mais fresco sobre o assunto. Digo isso, especialmente por identificar em Nicole (Scarlett Johasson) algo que já senti e certamente outras pessoas também.

História de um Casamento parte do que era para ser uma separação temporária e amigável para um divórcio tenebroso em que o pior de cada um acaba sendo exposto. Mesmo que involuntariamente. Mas o que me chama atenção é que alguém realmente se perde em meio a um relacionamento em prol do outro.

Nicole reclama que perdeu a sua personalidade em meio ao casamento com Charlie (Adam Driver) já que entendia que era o caminho certo a seguir, seja por admiração pelo companheiro ou porque estava apaixonada. E mesmo que a sua vida fosse encaixável ao do marido, ela sabe que aquilo nunca foi o que sonhou para si. E Nicole sente falta de si mesma e não é dentro deste relacionamento que ela vai conseguir se reconectar.

História de um Casamento parece ser muito atencioso a problemas que atingem o universo feminino. É importante que o diretor traga à tona discursos atualizados sobre a forma como as mulheres se sentem dentro de um relacionamento, especialmente por causa de todo o julgamento que se passa quando se é mãe e as culpas sobre este papel, e que tudo isso está mudando.

Laura Dern é o ponto alto do filme

O monólogo da advogada Nora (Laura Dern) é um dos pontos mais reveladores sobre o conceito de família, de como o papel de um casal é desigual dentro e fora de casa. A personagem chega para acordar Nicole e colocá-la no controle da sua vida novamente. E até mesmo da nossa. Nora quase lembra Renata de Big Little Lies pela sua agressividade, mas a advogada é um exemplo de que o racional e o emocional podem andar juntos, além de ser uma mulher que levanta a outra. Ninguém melhor que Laura Dern para este papel.

Não há mais do que falar sobre as atuações de Scarlett Johansson e Adam Driver. Tudo o que poderia ser dito, já foi, e eu nem tenho como escolher o meu favorito no filme. Se por um lado a atriz emociona e traz uma honestidade na sua personagem, o seu companheiro de cena também demonstra a frustração e desespero de perder esta batalha para a ex-esposa, já que antes tudo seguia conforme o seu roteiro. Os dois transbordam sentimentos, expõem raiva, dor e tristeza em discussões, olhares e gestos. Tudo o que uma vez já colocamos para fora para dizer adeus.

Indicados Globo de Ouro 2020

Indicados foram revelados em uma live do Facebook do Globo de Ouro

Eu não poderia me importar menos com os indicados ao Globo de Ouro 2020. Como uma premiação pode deixar de fora séries e filmes incríveis da lista de indicados como Olhos Que Condenam, Nós, A Vida Invisível, Years and Years, Watchmen e Euphoria, que foram produções que se destacaram tanto em público quanto crítica este ano, não ter nenhuma indicação de mulheres e negros nas principais categorias como Direção e Roteiro, Parasita ter sido jogado apenas como Melhor Filme Estrangeiro, e ainda O Rei Leão, a refilmagem em “Live Action” foi indicado a Melhor Animação? No máximo teria que ser considerado a efeitos especiais, não a Animação.  Jharrel Jerome, que ganhou o Emmy de ator de Minissérie por Olhos Que Condenam, sequer foi indicado. Para mim, uma das melhores produções e atuações do ano. Lamentável.

O Globo de Ouro tem a possibilidade de ampliar e dividir perfeitamente as suas listas de indicados nas categorias de Comédia e Drama, mas não o fizeram e repetiram mais uma vez uma lista mais do mesmo. Fora que o anúncio foi feito em uma live no Facebook de forma acelerada, sendo quase que incompreensível a pronúncia dos atores lendo as indicações e com um intervalo inexplicável.

Mas só para não focar nas reclamações, os indicados ainda tiveram suas partes boas como a indicação de Eddie Murphy por Melhor Ator por Meu Nome é Dolemite, assim como o próprio longa foi lembrado como Melhor Filme Comédia, Rocketman e Coringa também foram apreciados, Dor e Glória de Pedro Almodóvar foi indicado a Melhor Filme Estrangeiro e a Melhor Ator para Antonio Banderas, Phoebe Waller Bridge teve todo o seu trabalho por Fleabag reconhecido, assim como História de um Casamento com a dupla de protagonistas indicados e o próprio filme. Mas, veja que ironia, o diretor não foi sequer lembrado na sua categoria. Vai entender.

E a amada Meryl Streep quebrou o próprio recorde e se tornou a atriz mais indicada na história do Globo de Ouro. Com a nomeação de hoje, por Big Little Lies, ela soma 34 nomeações, sendo que em oito ela saiu vitoriosa.

Confira os indicados

Cinema

Melhor Filme – Drama
O Irlandês
História de um Casamento
1917
Coringa
Dois Papas

Melhor Filme – Musical/Comédia
Era Uma Vez em Hollywood
Jojo Rabbit
Entre Facas e Segredos
Rocketman
Meu Nome é Dolemite

Melhor Diretor
Bong Joon-ho – Parasita
Martin Scorsese – O Irlandês
Quentin Tarantino – Era Uma Vez Em… Hollywood
Sam Mendes – 1917
Todd Phillips – Coringa

Melhor Ator  Drama
Christian Bale – Ford vs Ferrari
Antonio Banderas – Dor e Glória
Adam Driver – História de um Casamento
Joaquin Phoenix – Coringa
Jonathan Pryce – Dois Papas

Melhor Atriz  Drama
Charlize Theron – O Escândalo
Cynthia Erivo – Harriet
Renée Zellweger – Judy: Muito Além do Arco-Íris
Saoirse Ronan – Adoráveis Mulheres
Scarlett Johansson – História de Um Casamento

Melhor Ator Musical/Comédia
Daniel Craig – Entre Facas e Segredos
Eddie Murphy – Meu Nome é Dolemite
Leonardo DiCaprio – Era Uma Vez Em… Hollywood
Roman Griffin Davis – Jojo Rabbit
Taron Egerton – Rocketman

Melhor Atriz Musical/Comédia
Ana de Armas – Entre Facas e Segredos
Awkwafina – The Farewell
Beanie Feldstein – Fora de Série
Cate Blanchett – Cadê Você, Bernadette?
Emma Thompson – Late Night

Melhor Ator Coadjuvante
Al Pacino – O Irlandês
Anthony Hopkins – Dois Papas
Brad Pitt – Era Uma Vez Em… Hollywood
Joe Pesci – O Irlandês
Tom Hanks – Um Lindo Dia na Vizinhança

Melhor Atriz Coadjuvante
Margot Robbie – O Escândalo
Annette Bening – O Relatório
Kathy Bates – Richard Jewell
Jennifer Lopez – As Golpistas
Laura Dern – História de Um Casamento

Melhor Roteiro
Dois Papas
Era Uma Vez Em… Hollywood
História de Um Casamento
O Irlandês
Parasita

Melhor Filme Estrangeiro
Dor e Glória (Espanha)
The Farewell (Estados Unidos)
Les Misérables (França)
Retrato de uma Jovem em Chamas (França)
Parasita (Coréia do Sul)

Melhor Canção Original
Beautiful Ghosts – Cats
(I’m Gonna) Love Me Again – Rocketman
Into the Unknown – Frozen 2
Spirit – O Rei Leão
Stand Up – Harriet

Melhor Trilha Sonora Original
1917
Adoráveis Mulheres
Brooklyn – Sem Pai Nem Mãe
Coringa
História de Um Casamento

Melhor Animação
Frozen 2
Como Treinar o Seu Dragão: The Hidden World
Missing Link
Toy Story 4
O Rei Leão

Séries

Melhor Série Drama
Big Little Lies
The Crown
Killing Eve
The Morning Show
Succession

Melhor Atriz Drama
Jennifer Aniston – The Morning Show
Jodie Comer- – Killing Eve
Nicole Kidman -Big Little Lies
Olivia Colman – The Crown
Reese Witherspoon – The Morning Show

Melhor Ator  Drama
Billy Porter – Pose
Brian Cox – Succession
Kit Harington – Game of Thrones
Rami Malek – Mr. Robot
Tobias Menzies – The Crown

Melhor Atriz Coadjuvante de Série Drama
Patricia Arquette – The Act
Helena Bonham Carter – The Crown
Toni Collette – Unbelievable
Meryl Streep – Big Little Lies
Emily Watson – Chernobyl

Melhor Ator Coadjuvante de Série Drama
Alan Arkin – O Método Kominsky
Kieran Culkin -Succession
Andrew Scott – Fleabag
Stellan Skarsgård – Chernobyl
Henry Winkler – Barry

Melhor Série Musical/Comédia
Barry
Fleabag”
The Kominsky Method
The Marvelous Mrs. Maisel
The Politician

Melhor Atriz  Comédia/Musical
Christina Applegate – Dead to Me
Kirsten Dunst – On Becoming a God in Central Florida
Natasha Lyonne – Russian Doll
Phoebe Waller-Bridge – Fleabag
Rachel Brosnahan – The Marvelous Mrs. Maisel

Melhor Ator  Comédia/Musical
Ben Platt – The Politician
Bill Hader – Barry
Michael Douglas – The Kominsky Method
Paul Rudd – Living with Yourself
Ramy Youssef – Ramy

Melhor Minisserie/Telefilme
Catch-22
Chernobyl
Fosse/Verdon
The Loudest Voice
Unbelievable

Melhor Ator de Minisserie/Telefilme
Christopher Abbott – Catch-22
Sacha Baron Cohen – The Spy
Russell Crowe – The Loudest Voice
Jared Harris – Chernobyl
Sam Rockwell – Fosse/Verdon

Melhor Atriz de Minisserie/Telefilme
Kaitlyn Dever – Unbelievable
Joey King – The Act
Helen Mirren – Catherine the Great
Merritt Wever – Unbelievable
Michelle Williams – Fosse/Verdon

A esperança e a honestidade de A Vida Invisível

Julia Stockler e Carol Duarte arrasam em A Vida Invisível

Estreou nessa semana um dos filmes brasileiros mais aguardados do ano.  A Vida Invisível ganhou elogios desde a sua primeira exibição no Festival de Cannes 2019, onde levou o prêmio Um Certo Olhar – fato inédito na história do cinema brasileiro -, além de prêmios do público de Melhor Filme e do júri de Melhor Fotografia, no Festival de Cinema de Lima; e o CineCoPro Award, no Festival de Munique.

Baseado na obra de Martha Batalha, o filme é o sétimo da carreira do diretor Karim Aïnouz e é o representante do Brasil na disputa por uma vaga na categoria de Melhor Filme Internacional do Oscar 2020. A decisão não poderia ter sido a mais sábia por ser uma história universal e que mesmo sendo ambientada nos anos 1950 no Rio de Janeiro, ainda deixa marcas, quase que invisíveis, no presente.

“A Vida Invisível” mostra as consequências de uma separação injusta das irmãs Eurídice (Carol Duarte) e Guida (Julia Stockler), causada pelo pai Manoel (António Fonseca), que não aceitou a “desonra” que a sua filha Guida causou à família. O filme representa bem a invisibilidade que cada personagem feminina sofre dentro dos seus lares e a incapacidade de reverterem este papel dentro da sociedade. Em um dos diálogos, uma personagem diz “sorte a dele” quando recebe a notícia de que Guida teve um menino.

Irmãs têm a esperança de se reencontrarem

Mesmo que distantes, Eurídice e Guida passam por dificuldades por não conseguirem concretizarem os seus sonhos, seja estudar música ou viajar sozinha com o filho, por serem mulheres. Mas o diretor Karim Aïnouz sabe como criticar este “patriarcado” tão onipresente. Gregório Duvivier é o melhor exemplo neste caso, por interpretar Antenor, o marido de Eurídice, que se comporta de modo torto e infantil, mas é quem tem a palavra final dentro de casa. Assim como é Manoel, pai e marido enraivecido, sendo o próprio estereótipo português.

O conjunto de A Vida Invisível sabe transmitir muitos sentimentos, com suas cores – o verde tão vivo em figurinos e cenários, representando a esperança – com as suas atuações – basta Fernanda Montenegro aparecer para sentir todo o peso de uma vida – e com sua edição bruta, que sintetiza e nos recoloca na história sem mais explicações.

Karim Aïnouz traz um filme honesto por assumir o seu ‘melodrama tropical’ com tudo que tem direito e sem subestimar o seu público com uma história simples, mas com a dose certa de provocação. A Vida Invisível chega para emocionar e representar vidas que a gente não quer mais que se percam.

• Texto escrito originalmente para o site do Correio do Povo 

Aproveitando já deixo o link do podcast ALouPode, onde converso com o meu amigo e colega jornalista Matheus Pannebecker, do blog Cinema e Argumento, sobre A Vida Invisível. O podcast está disponível no Spotify. Clique aqui.

Da onde El Camino: A Breaking Bad Film é bom?

Jesse Pinkman continua não tendo paz nem no filme

Se tem uma moda que parece irresistível no universo do entretenimento é refilmar ou lançar sequências de filmes e séries que foram bem sucedidas. Mas isto tem se tornado algo tão preguiçoso e, na maioria das vezes, inútil. Como é o caso de El Camino: A Breaking Bad Film que chegou na Netflix na última semana.

Eu não poderia concordar mais com a Jennifer Aniston quando comentou, recentemente, que um reboot de Friends não seria tão bom e que isso arruinaria a série. E isto se aplica a muitos produtos já lançados por aí, assim como também nesta continuação da série criada por Vince Gilligan, que narra os desdobramentos após o fim de Breaking Bad lá em 2013 e que infelizmente não agrega em nada.

Não vou mentir, eu fiquei empolgada com este filme, lembrando da qualidade magnífica de Breaking Bad. Por isso, resolvi assistir aos 3 últimos episódios da última temporada para recordar o desfecho. E nossa, foi incrível. Eu realmente precisava voltar para Albuquerque, Novo México, e reviver aquele clima de suspense, ação e drama incomparáveis. Aquelas cenas longas e contemplativas, as atuações sempre por um fio, o roteiro que nunca seguia o caminho comum, enfim, uma série inesquecível e que sempre vale a pena revisitar.

Porém, tudo isso se perde em El Camino. Eu não entendi onde foi que Vince Gilligan perdeu a mão neste filme já que não trouxe nada de relevante e apenas explorou o sofrimento de Jesse Pinkman (Aaron Paul) gratuitamente. Só que a Netflix, que certamente teve influência em todas as decisões, enxergou nisso uma oportunidade de dar uma redenção a este personagem que nunca teve um momento de paz depois que conheceu Walter White (Bryan Cranston). O grande triunfo do final da série foi a subjetividade que ele entregou aos personagens, especialmente Pinkman. Breaking Bad nunca foi uma narrativa sobre redenção. Não teria o por que do filme ser assim também.

El Camino não soube aproveitar o que teve de bom em Breaking Bad. O roteiro tem buracos e falhas como, por exemplo, Pinkman conseguir se esconder na casa dos amigos e o FBI nem desconfiar disso, além de se estender em enrascadas como a que ocorre no apartamento de Todd (Jesse Plemons). Parece que o filme quis brincar ainda mais com o destino do Pinkman como se fosse um jogo de videogame onde ele precisa passar por fases para não perder a sua vida. Sem contar que entre estes momentos tem os flashbacks piegas e os que alimentam a sede de vingança do protagonista. Tem uma hora que perde a graça.

Flashbacks não são convincentes

Sem contar que é muito estranho assistir flashbacks com os personagens com biótipos muito diferentes do que eram na época da série. Não dá para acreditar. Assim como o fan service que acontece e ainda assim, não comove tamanha a falta de coerência entre a dupla. Aaron Paul carrega muito Jesse Pinkman em si, mas a verdade é que o seu personagem não era conhecido por suas espertezas quando se tratava de fugir de uma cilada. Toda a sagacidade de sair por cima era um atributo de Walter White. Pode ser que Pinkman tenha aprendido com o mestre? Talvez, mas o roteiro cria situações tão ordinárias que parece que esta influência surgiu milagrosamente e depois morreu.

Sabendo da tamanha audiência de Breaking Bad, a Netflix aproveitou a deixa para lançar mais um produtinho para agradar os fãs. Só que abre a discussão do quanto é realmente necessário criar spin offs, retomar pontas soltas e dar continuidade a produções que já tiveram o seu êxito. Por sorte, El Camino não estraga a experiência de Breaking Bad, por isso vou continuar fingindo que este filme nunca existiu.

Essa vai só para quem é Fleabag

Phoebe Waller-Bridge é dona e proprietária de Fleabag

Fleabag foi uma das minhas melhores companhias recentemente. A série criada, escrita e produzida pela Phoebe Waller-Brigde, minha mais nova ídola, é como se fosse a sua melhor amiga da qual você pode ser a mais transparente possível. Ser a sua versão mais crua e sem filtro. Inclusive, ultrapassar limites. Gosto do programa por causa das falhas, vulnerabilidade e até mesmo da carência dos personagens. A protagonista Fleabag assume a linha de frente desta narrativa que nos mostra que para fugir da solidão toda pessoa se submete a muitas situações e relações desnecessárias.

Fleabag trata sobre a negação da solidão e o quanto fingimos estar tudo bem, quando lá no fundo, não queremos admitir o que estamos sentindo. Veja, por exemplo, a família da protagonista. Claire (Sian Clifford), a irmã de Fleabag, acredita ter a vida perfeita mesmo com um marido fracassado e um enteado perturbado. Além de achar que está no controle de tudo, quando na verdade, não. Já o Pai (Bill Paterson) acaba enrascado em um relacionamento forçado com a Madrinha das filhas, que se aproveita do luto da família para assumir o papel de madrasta. Sendo que era melhor amiga da Mãe das meninas. Um papel difícil, mas que só Olivia Colman consegue fazer perfeitamente.

Personagem de Olivia Colman é muito falsiane em Fleabag

Em uma série com apenas duas temporadas de seis episódios com pouco menos de 30 minutos cada, a história assume a ousadia de mesclar um drama complexo com nuances humorísticas graças a quebra da quarta parede feita pela protagonista. Por causa disso, é fácil acompanhar Fleabag porque ela encarna o clima do “melhor rir para não chorar” em meio a suas aventuras pelas ruas de Londres. E como ela dá o tom sarcástico da situação, a história não fica tão pesada porque ao compartilhar o momento, Fleabag também está fugindo da solidão da sua vida e nos colocando junto. Logo, nós também somos um personagem (aloca).

Phoebe Waller-Bridge tem um timing de roteiro muito bom ao modernizar questões femininas, ser sincera nas relações humanas e refletir a maturidade de uma mulher de 30 e poucos anos que ainda “não se encontrou”. Além dela ser uma ótima atriz que entrega uma personagem engraçada, frágil e esperta. O restante do elenco também é maravilhoso. Principalmente Sian Clifford, que é a irmã controladora e facilmente tirada pra frígida que precisa manter as aparências, e Olivia Colman que é a madrinha falsiane mais passiva-agressiva que já existiu. E ah, não poderia esquecer de Andrew Scott que interpreta o padre gato na segunda temporada, que não só é a pessoa mais fofa deste mundo como foi o primeiro a prestar atenção em Fleabag e fazer com que ela voltasse a ter os pés no chão.

Eu amo Andrew Scott em Fleabag

Phoebe tem razão em não dar continuidade a outras temporadas de Fleabag. A personagem principal encerrou o ciclo do qual estava passando, onde não queria encarar o luto da perda da mãe e da melhor amiga, e entendeu que precisava seguir em frente sozinha. Logo, até nós não teríamos mais utilidade ali. E somente neste recorte, já dá para evoluir e muito pessoalmente. A força da série está justamente em entender que tudo vai passar. Nenhuma dor é para sempre e está tudo bem.

As duas temporadas estão disponíveis na Amazon Prime Video.